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Wall Street em terreno positivo com ajuda da China

As notícias positivas sobre o desempenho da economia chinesa impulsionaram os três principais índices da bolsa norte-americana, que fecharam esta semana em alta.

A Bolsa de Valores de Nova Iorque, em Wall Street, é o principal mercado de valores mobiliários do mundo. Fundada em 1792, localiza-se no coração da ilha de Manhattan, em Nova Iorque (EUA)
A Bolsa de Valores de Nova Iorque, em Wall Street, é o principal mercado de valores mobiliários do mundo. Fundada em 1792, localiza-se no coração da ilha de Manhattan, em Nova Iorque (EUA) CréditosBrendan McDermid / Reuters

A divulgação dos dados económicos referentes à China, com o indicador de actividade dos serviços a registar o maior aumento dos últimos três meses, levou a Bolsa de Valores de Nova Iorque a encerrar os seus três principais indicadores em terreno positivo, noticiou O Jornal Económico (OJE) na noite de quarta-feira passada.

A mesma fonte assinalava a diminuição do «alvoroço que se tem gerado em torno da guerra comercial entre as duas super-potências [EUA e China]», indicando que «o S&P 500 subiu 1,08% para 2.937,59 pontos, o Nasdaq valorizou 1,44% para 7.719,25 enquanto que o Dow Jones Industrial Average avançou 0,91% para 26.355,47 pontos».

A notícia confirma a estreita interdependência entre as economias da China e dos EUA, as duas super-potências que mais influenciam a economia mundial.

A tendência manteve-se ontem, quinta-feira, com a Agência Lusa a noticiar o fecho da Bolsa nova-iorquina «em forte alta», mas omitindo o efeito positivo dos indicadores económicos da China e explicando a subida «pelo anúncio de uma reunião bilateral, no próximo mês, entre Washington e Pequim, sobre as questões comerciais» e por «indicadores norte-americanos considerados encorajadores».

Em apoio da notícia a Lusa citou o ministro chinês do Comércio como tendo declarado que negociadores chineses e norte-americanos se irão encontrar «no início de Outubro», em Washington, para novas negociações comerciais, sem desenvolver a apreciação da agência sobre os indicadores norte-americanos.

Já a Fox Business, canal especializado de negócios da cadeia Fox News, apreciou a situação económica dos EUA, no mesmo dia, em sentido diametralmente oposto ao da agência noticiosa portuguesa.

Guerra comercial dos EUA faz «emergir risco de recessão»

Depois de 11 anos ininterruptos de crescimento, as condições económicas norte-americanas «têm vindo a enfraquecer» no Verão de 2019 e o «risco de uma recessão começa a emergir no horizonte», afirma a Fox Business.

O canal aponta a inversão do spread do Tesouro a dois e a dez anos – pela primeira vez numa década – e revisões do PIB e da informação sobre emprego como indícios de que «a economia dos Estados Unidos não está tão forte como inicialmente se acreditava».

A explicação para o «obscurecimento das perspectivas económicas» pode atribuir-se «em larga medida», para o economista Mark Zandi, director de análise económico-financeira na Moody’s Analytics, «à guerra comercial que há um ano se trava entre os EUA e a China».

Os EUA escalaram a guerra entre as duas maiores economias mundiais no mês passado, impondo um novo conjunto de tarifas sobre produtos chineses, as quais foram retribuídas pela China com a imposição de tarifas sobre produtos norte-americanos.

«Se Washington e Pequim forem incapazes de estabelecer com brevidade um acordo», avisou Zandi, «os EUA poderão deslizar para uma recessão». O analista apontou também, nas suas declarações aos jornalistas, que quanto mais tempo a guerra comercial durar, maior é esse risco.

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