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União Europeia, uma entidade «deslocada» da realidade síria

As celebrações populares, massivas, pela reeleição de Bashar al-Assad entraram por este fim-de-semana dentro. Do Médio Oriente e da Ásia, sobretudo, chegaram mensagens de apoio. A UE renovou as sanções.

Centenas de milhares de pessoas festejaram a reeleição de Bashar al-Assad como presidente da Síria 
Centenas de milhares de pessoas festejaram a reeleição de Bashar al-Assad como presidente da Síria Créditos / Prensa Latina

Ruas, praças, cidades universitárias têm sido palco de enormes ajuntamentos populares, em vários pontos do país árabe, para festejar o triunfo eleitoral expressivo de Bashar al-Assad.

Em Homs, o Estádio Bassel al-Assad e a Universidade al-Baath registaram as maiores concentrações humanas desde que a guerra teve início, em 2011. Iniciativas semelhantes, que atestam a afirmação da soberania do povo sírio, tiveram lugar em cidades como Damasco, Alepo, Hama, Latakia e Jableh.

Ao longo destes dias, foram chegando mensagens de felicitação ao presidente reeleito com 95,1% dos votos válidos, sobretudo de dirigentes políticos, partidos, personalidades e intelectuais do Médio Oriente e de outros pontos da Ásia. A agência estatal SANA divulga várias notícias a propósito.

A «falsidade dos valores que a UE alardeia»

No dia 27, subsequente ao do acto eleitoral em território sírio, o Conselho Europeu anunciou, no seu portal, que prorrogava as «sanções contra o regime por mais um ano», sendo que o «regime» era o governo constitucional da Síria.

Em comunicado, o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros afirmou que o prolongamento dessas «desumanas medidas coercivas unilaterais evidencia a falsidade dos valores que a UE [União Europeia] alardeia e o seu envolvimento na injusta guerra contra a Síria».

De acordo com o texto divulgado pelos meios estatais, «estas representam um dos aspectos da agressão e afectam principalmente a vida e o sustento dos civis», numa «violação flagrante das normas mais básicas dos direitos humanos e dos princípios da lei humanitária internacional».

«A instituição da UE mostrou que está desligada e distanciada por completo da realidade na Síria», acusa o Ministério, acrescentado que a UE «está envolvida na guerra e é responsável pelo derramamento de sangue dos sírios e pela destruição das suas conquistas».

Como o povo sírio e o seu Exército conseguiram derrotar o terrorismo e os seus partidários através da afluência massiva às urnas, agora estão mais decididos a frustrar qualquer intento de pressão ou ingerência externa nos seus assuntos, revela o documento.

Para as autoridades sírias, a UE acumulou «muitos fracassos por causa das suas perspectivas equivocadas e da sua dependência cega da política norte-americana, e perdeu credibilidade e influência na região e no mundo, tendo-se transformado numa entidade gelatinosa sem cor, sabor ou cheiro».

283 pessoas e 70 entidades visadas pelo regime da UE

Num documento intitulado «Síria: Conselho prorroga sanções contra o regime por mais um ano», a UE anunciou o prolongamento das sanções imposta à Síria em 2011, até 1 de Junho de 2022, alegando a «contínua repressão da população civil no país».

A lista punitiva inclui 283 pessoas e 70 entidades, que ficam proibidas de entrar no território dos países que fazem parte do regime da União Europeia, e a quem é imposto ainda o congelamento de bens e activos.

As medidas visam igualmente o congelamento dos activos do Banco Central da Síria na UE e um embargo às importações de petróleo e às exportações de equipamentos e tecnologia.

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