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Um em cada quatro brasileiros convive com a fome

Segundo a pesquisa Datafolha divulgada esta segunda-feira, 26% dos brasileiros afirmam não ter comida suficiente em casa para alimentar os familiares. Desempregados e mais pobres são mais afectados.

Créditos / PCdoB

O resultado do levantamento realizado pela Folha de S. Paulo é revelador da insegurança alimentar no país sul-americano e pode estar relacionado com factores como agravamento da inflação, diminuição do rendimento da população e desemprego.

A este propósito, o Portal Vermelho comenta que «nos últimos anos, sob o governo Jair Bolsonaro e com o quadro de pandemia, a fome se espalhou». «O cenário de insegurança alimentar está em alta desde que o Datafolha passou a pesquisar esse tema, em Maio de 2021. Mesmo com os refluxos da crise sanitária e a reabertura da economia, a falta de alimento nos lares brasileiros não retrocedeu», acrescenta.

De acordo com a pesquisa agora realizada, apenas 62% dos brasileiros afirmam ter comida suficiente, enquanto 12% disseram que nas suas casas há comida de sobra.

A situação é mais grave para quem não tem emprego e para as camadas mais pobres da população: falta comida a 42% dos desempregados e a 38% dos que ganham até dois salários mínimos (2424 reais ou 437,5 euros).

Por regiões, o problema tem maior incidência no Nordeste (32%) e no Norte (30%). No Sul e no Sudeste, regiões mais ricas, a escassez de comida atinge 24% e 22% dos habitantes, respectivamente.

De acordo com a pesquisa Datafolha, a preocupação central dos brasileiros é o custo dos alimentos, o que encontra razão de ser no aumento dos preços, na precariedade laboral, nos baixos salários e nas incertezas que rondam o ambiente político e económico.

A Folha de S. Paulo lembra ainda que «33 milhões de pessoas passam fome no País, segundo apontou a segunda edição do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil – um patamar semelhante ao que havia sido registrado há três décadas».

Outro dado apontado pelo jornal é que numa «cidade como São Paulo, a renda dos 5% mais pobres não é suficiente para comprar dois pratos feitos ou um quilo de carne por mês».

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