UE e imigração marcam eleições na Holanda

Cerca de 13 milhões de votantes elegem hoje os 150 deputados da Segunda Câmara do Parlamento holandês, após uma campanha fortemente marcada pelos temas da imigração, do islamismo e da União Europeia.

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Eleitores aguardam pela sua vez para votar, na Estação Central de Utrecht, nas eleições legislativas holandesas, que hoje se realizam
Eleitores aguardam pela sua vez para votar, na Estação Central de Utrecht, nas eleições legislativas holandesas, que hoje se realizam CréditosJeroen Jumelet / EPA/Agência Lusa

As sondagens dão a vitória, nestas eleições legislativas, ao Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, direita), do actual primeiro-ministro, Mark Rutte, seguido do Partido para a Liberdade (PVV, extrema-direita), liderado por Geert Wilders.

De acordo com um portal que recolhe dados de grandes sondagens na Holanda, Peilingwijzer, o VVD deve eleger entre 24 e 28 deputados, enquanto o PVV deve alcançar entre 19 e 23 assentos na câmara baixa do Parlamento holandês. Seguem-se os democratas-cristãos do CDA, com 19-21 deputados.

Prevê-se que os centristas D66 (17-19), a Esquerda Verde (16-18), o Partido Socialista (14-16) e os trabalhistas do PvdA (10-12) também elejam mais de dez deputados. A confirmar-se esta estimativa, ambos os partidos que integram a actual coligação governamental são castigados: o VVD perde no mínimo 13 deputados e o PvdA – de Jeroen Dijsselbloem, até agora ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo – 26.

Outro elemento que sobressai nesta estimativa é o facto de o próximo governo holandês resultar de uma coligação abrangente e fragmentada – que, segundo a vontade expressa nos últimos dias por Mark Rutte e líderes de outras forças políticas na liça, deixará de fora o partido de Geert Wilders.

Direita pró-UE vs. populismo xenófobo

O discurso anti-islâmico e populista de Geert Wilders tem mais de uma década e ficou bem plasmado nos tempos que antecederam esta campanha eleitoral, com o líder do PVV a associar Islão e falta de liberdade, a defender o encerramento das mesquitas e a proibição do Corão na Holanda, a afirmar que «as pessoas estão fartas da islamização e da imigração em massa».

Por vezes, o seu discurso anti-Islão alargava-se aos «estrangeiros»: «A Holanda não é para todos, a Holanda é para os holandeses», disse, citado pela RT. A este caldo de cultivo xenófobo associou o discurso da soberania e do direito dos holandeses a «decidir o seu destino, como gastar o seu dinheiro», pela via da saída da União Europeia, de um Nexit (de Netherlands [Holanda] + exit [saída]).

Sobre o populismo de Geert Wilders e o modo como a sua «mensagem» tem acolhimento numa fatia substancial do eleitorado holandês, um representante político na cidade de Volendam disse à RT que «Wilders repara na frustração, naquilo que aí vem e que preocupa as pessoas, e que o expressa».

Mark Rutte, que considera que a saída da UE teria custos elevadíssimos e conduziria o país ao caos, centrou a sua campanha na defesa da recuperação económica e do lugar que o país ocupa no concerto europeu, face ao «extremismo» do PVV, de Wilders, a quem manifestou a total impossibilidade de com ele formar uma coligação governamental.

Grande defensor das directivas europeias, Rutte foi acusado de implementar políticas austeras, com consequências sociais sobretudo para as camadas mais baixas, e de ter deixado na gaveta promessas eleitorais relativas ao alívio fiscal ou aos cuidados para os mais idosos.

Também é acusado de, sob pressão do discurso populista de Wilders, se ter posicionado mais à direita e endurecido o discurso contra os imigrantes, numa tentativa de captar a faixa de eleitorado sensível aos argumentos da extrema-direita.

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