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Trump quer reconhecer Jerusalém como capital de Israel

O anúncio formal da mudança da embaixada para Jerusalém poderá ocorrer esta tarde, depois de na terça-feira o presidente norte-americano ter comunicado a decisão a Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana (AP). O reconhecimento está a gerar receios de uma nova escalada de violência.

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Vista da mesquita de Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém
Vista da mesquita de Al-Aqsa, na Cidade Velha de JerusalémCréditos / common.wikimedia.org

Nabil Abu Rudeineh, porta-voz da AP, divulgou um comunicado de acordo com o qual Abbas terá «alertado [Trump] para as perigosas repercussões de tal passo» para o processo de paz e para a segurança e a estabilidade na região e no mundo.

Segundo o comunicado, Abbas terá reafirmado a posição firme da liderança palestiniana de que um Estado palestiniano só terá futuro com uma Jerusalém Oriental não ocupada como sua capital, tal como estabelecido pelas resoluções internacionais, indica a agência Ma'an.

Para além de falar com Abbas, Donald Trump ligou a diversos líderes regionais, como o rei da Jordânia, Abdullah II. De acordo com o diário israelita Haaretz, este terá dito a Trump que «frustraria qualquer iniciativa americana de renovar o processo de paz e que instigaria a raiva e a resistência tanto entre os muçulmanos como os cristãos», caso a embaixada dos EUA fosse mudada para Jerusalém.

Antevendo reacções pouco amistosas ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e ao anúncio da mudança da embaixada, Washington deu ordens para reforçar a segurança das suas embaixadas pelo mundo fora e aconselhou os seus funcionários governamentais a evitarem a Cidade Velha de Jerusalém e a Margem Ocidental ocupada, revela o The Guardian.

Passo inédito ou Trump a ser Trump

A mudança da Embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém foi aprovada em 1995 pelo Congresso, mas, desde então, os diversos chefes de Estado norte-americanos assinam uma dispensa que adia a decisão por seis meses. Donald Trump também já o fez, em Junho deste ano, depois de, na campanha eleitoral, ter prometido levar a embaixada de Telavive para Jerusalém.

Jerusalém é, há décadas, um ponto central no conflito israelo-palestiniano. Declarada por Israel como sua capital, tem o estatuto, reconhecido pelas Nações Unidas, de cidade ocupada, sendo Israel a potência ocupante. Os palestinianos querem-na como sua capital e quem apoia a solução dos «dois estados» reconhece que o Estado da Palestina tem em Jerusalém Oriental a sua capital.

Neste primeiro ano de mandato, Donald Trump tem insistido que a paz entre palestinianos e israelitas é algo que gostaria de ver concretizado durante a sua presidência. Também já afirmou, quebrando laços com a posição oficial há muito mantida pelos EUA, que poderia aceitar a solução de «um só Estado».

No entanto, funcionários da sua administração, conhecida por abrigar vários apoiantes das políticas de Israel, deixaram claro, nos últimos dias, que a mudança da embaixada é um facto e que o actual presidente não iria seguir os passos dos seus antecessores. Na segunda-feira, Hogan Gidley, do gabinete de imprensa da Casa Branca, disse que «Trump foi claro desde o início» e que «não era uma questão de "se", mas de "como" e "quando"», indica a PressTV.

Entretanto, os israelitas parecem sentir-se «mais à vontade» em Jerusalém: têm incrementado o número de ameaças em locais religiosos não-judaicos e intensificado o plano de «judaização» de Jerusalém Oriental – denunciado pelos palestinianos em diversas ocasiões –, aumentando a construção de colonatos e expulsando os palestinianos de suas casas, que são muitas vezes demolidas.

Repúdio internacional

A decisão de Trump mereceu a condenação de vários países árabes – incluindo a Arábia Saudita, acusada por alguns de «manter as aparências» –, a Turquia e a União Europeia. Pelo seu lado, o Governo português considera que a decisão é contraproducente à solução de dois estados, que defende.

De acordo com o Haaretz, o repúdio face um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel também se fez sentir neste país, onde académicos, antigos embaixadores e defensores da paz enviaram uma carta a um representante de Trump.

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