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Palestinianos respondem com uma greve geral à visita de Mike Pence

Com o protesto, hoje vigente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, os palestinianos denunciam a visita do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, à Cidade Velha de Jerusalém, bem como o reconhecimento, por parte de Washington, de Jerusalém como capital de Israel.

Lojas fechadas em Ramallah, na Margem Ocidental ocupada, durante a greve geral de protesto contra a visita de Mike Pence à Cidade Velha de Jerusalém
Lojas fechadas em Ramallah, na Margem Ocidental ocupada, durante a greve geral de protesto contra a visita de Mike Pence à Cidade Velha de JerusalémCréditos / Wafa

De acordo com a agência palestiniana Wafa, citada pela PressTV, o comércio e as instituições governamentais encontram-se encerrados, e os sindicatos dos transportes também aderiram ao protesto. De fora ficaram os sectores da saúde e da educação.

A greve geral de hoje, convocada pelo movimento Fatah e outras forças políticas palestinianas, visa protestar contra a visita agendada de Mike Pence, vice-presidente dos EUA, ao Muro de Al-Buraq, no extremo ocidental da Mesquita de Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, e que é conhecido pelos judeus como Muro Ocidental ou Muro das Lamentações.

Subjacente ao protesto está, também, a decisão da administração norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, anunciada a 6 de Dezembro último. A medida, que viola o Direito Internacional e diversas resoluções das Nações Unidas, foi condenada a nível mundial.

Desde o anúncio, registaram-se inúmeros protestos na Faixa de Gaza e na Margem Ocidental ocupada, nos quais as forças de ocupação mataram mais de dezena e meia de palestinianos e provocaram ferimentos em centenas.

Mudança de embaixada no final de 2019

A visita oficial de Pence a Israel – a Autoridade Nacional Palestiniana recusou reunir-se com ele – foi antecedida, no sábado, por visitas ao Egipto e à Jordânia.

Pence chegou a Israel no domingo e, no dia seguinte, manteve uma reunião privada com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no seu gabinete em Jerusalém. À imprensa, Pence fez saber que era «uma honra» estar na «capital de Israel» e que estava esperançoso «numa nova etapa» de esforços renovados para alcançar a paz entre israelitas e palestinianos.

Ainda na segunda-feira, Mike Pence discursou no Knesset (Parlamento de Israel), para voltar a vincar a ideia de que «Jerusalém é capital de Israel» e a necessidade de retomar os diálogos de paz. Anunciou ainda que Washington prevê mudar a sua embaixada de Telavive para Jerusalém no final do próximo ano, segundo refere o periódico Haaretz.

O discurso do representante norte-americano foi interrompido durante breves momentos pelos deputados árabes no Knesset, que mostraram cartazes em que se lia que «Al-Quds [Jerusalém] é a capital da Palestina», em árabe e inglês.

Saeb Erekat, secretário-geral do Comité Executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP), criticou com veemência as declarações do vice-presidente dos EUA em Israel, tendo afirmado que o seu discurso no Parlamento israelita «é um presente para os extremistas».

O discurso de Pence «demonstrou que a administração dos EUA faz parte do problema e não da solução», disse Erekat, citado pela PressTV.

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