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|Itália

Trabalhadores da ex-Ilva, grande siderurgia europeia, exigem salvaguarda dos empregos

A antiga siderurgia Ilva, em Taranto, um dos maiores complexos industriais e siderúrgicos da Europa, enfrenta ameaça iminente de encerramento, sob pretexto ambiental. A medida põe em risco milhares de postos de trabalho e o futuro industrial de Itália.

Créditos Maurizio Ingenito / EPA

A Acciaierie d’Italia, empresa que sucedeu à Ilva e que emprega quase dez mil trabalhadores, pretende colocar 8600 operários em regime de lay-off até Fevereiro de 2027. Perante esta ofensiva, desde o ano passado que os trabalhadores têm levado a cabo greves e acções de luta, estando já em preparação novas mobilizações à medida que se aproxima o prazo estipulado por decisão judicial para o encerramento da «zona quente» da fábrica, sob pretexto ambiental.

Organizados no seu sindicato de classe, a Federação dos Trabalhadores da Metalurgia (FIOM-CGIL), os metalúrgicos exigem soluções concretas para a reconversão ecológica e tecnológica da fábrica, garantindo um modelo ambientalmente sustentável que não sirva de pretexto para o abandono da capacidade produtiva do país.

Imposições europeias e desmantelamento produtivo

A redução das emissões de gases com efeito de estufa tem sido uma imposição de Bruxelas que encontra, no governo italiano, total cumplicidade na destruição do tecido produtivo, sem que sejam apresentadas alternativas viáveis para os trabalhadores ou para a região.

A principal central sindical italiana defende que a produção seja transformada para um sistema sustentável, assente na tecnologia de aço pré-reduzido e fornos eléctricos, exigindo que o Estado assuma o papel central e realize os investimentos necessários para esta modernização. Esta seria a solução para manter a produção industrial e os postos de trabalho.

Trata-se de uma batalha decisiva para o desenvolvimento soberano do país. A manutenção e o controlo do sector siderúrgico, um sector de importância vital e estratégica, são indispensáveis para alimentar indústrias-chave como a automóvel, a naval e a de electrodomésticos em Itália. Recusando pagar o custo de políticas que sacrificam a indústria em nome do lucro e do alinhamento com Bruxelas, os trabalhadores da ex-Ilva prometem manter-se na linha da frente, com diversas concentrações e manifestações de protesto já esta semana.

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