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O salazarento «Centro Interpretativo do Estado Novo» é uma afronta ao 25 de Abril

A abertura, esta sexta-feira, dia 23, em Santa Comba Dão, do «Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência», insere-se no processo de branqueamento do regime fascista.

Instalado na «Escola-Cantina Salazar», este novo equipamento promovido pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão, de maioria PSD, representa uma afronta a todos os democratas e surge na sequência de derrotadas tentativas do município, na altura com maioria PS, de abrir um «museu Salazar».

A abertura deste equipamento, sob a figura tutelar do ditador, expoente máximo de um regime fascista que durante 48 anos oprimiu o povo português, reprimindo, torturando e assassinando os seus opositores, permite aos nostálgicos do fascismo e apoiantes de grupos fascistas, neo-nazis ou de extrema-direita, fazer dele um local de culto contra a democracia.

Curiosamente, a abertura deste «Centro Interpretativo do Estado Novo» acontece poucos dias antes de se assinalarem os 90 anos da abertura do Campo de Concentração do Tarrafal (29 de Outubro de 1936), também conhecido como «Campo da morte lenta», onde a repressão foi levada ao extremo através de maus tratos, torturas e trabalhos forçados.

Neste espaço, onde a maior centralidade será dada aos objectos e escritos do espólio de Salazar, dificilmente haverá lugar a um discurso histórico isento e objectivo sobre a ditadura fascista versus resistência. Por outro lado, os promotores deste equipamento não podem deixar de considerar que se trata, para além de uma ofensa à memória das vítimas do fascismo, de uma afronta à democracia e à Constituição da República.
 

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