|Reino Unido

Trabalhadores da Amazon continuam a «fazer história» em Coventry

A 25 de Janeiro, foram os primeiros da multinacional norte-americana do retalho a fazer greve no Reino Unido. No dia 13, iniciaram uma greve de uma semana contra a proposta de aumento salarial da empresa.

Piquete de greve do sindicato GMB junto ao centro de distribuição da Amazon em Coventry a 28 de Fevereiro de 2023 
Piquete de greve do sindicato GMB junto ao centro de distribuição da Amazon em Coventry a 28 de Fevereiro de 2023 Créditos / Morning Star

Além de exigirem aumentos salariais, os trabalhadores denunciam «práticas de gestão autoritárias e longas horas», num ambiente «extremamente hostil» – a Amazon não reconhece o sindicato e tem sido acusada, pelo mundo fora, de práticas anti-sindicais.

Os trabalhadores em luta reivindicam uma remuneração de 15 libras por hora – um aumento de 43%, face aos 5% ou meia libra propostos pela empresa, que alega já ter pago aos trabalhadores um suplemento de 500 libras, no Natal, para fazer frente ao custo de vida.

A 25 de Janeiro, os funcionários da Amazon em Coventry (Centro de Inglaterra) «fizeram história», ao serem os primeiros no Reino Unido «a participar numa greve formal» na empresa, segundo destacou Amanda Gearing, dirigente do GMB, o sindicato que os representa.

Em declarações à imprensa, Gearing disse então que a greve «mostra a revolta dos trabalhadores da Amazon em Coventry», que «trabalham para uma das empresas mais ricas do mundo e, ainda assim, têm de trabalhar dia e noite para sobreviver».

No dia 28 de Fevereiro, seguiu-se nova jornada de paralisação. Stuart Richards, também delegado sindical do GMB, sublinhou então que os trabalhadores estavam novamente nos piquetes de greve «porque uma das empresas mais lucrativas do mundo lhes nega um salário que lhes permita viver».

«É uma luta de David contra Golias e os nossos filiados estão determinados a garantir que termina com o aumento que merecem», disse, citado pelo Morning Star.

Ficou então anunciada uma semana de greve, entre 13 e 17 de Março, caso as reivindicações no centro de distribuição da Amazon em Coventry continuassem a não ter resposta.

De acordo com o GMB, a proposta de aumento salarial de 57 cêntimos, feita pela empresa em Agosto do ano passado, é «ofensiva», com os trabalhadores em Coventry a auferirem pouco mais do que o salário mínimo.

O nível da «ofensa» pode ser aferido pelos números de trabalhadores sindicalizados no GMB, que em Janeiro eram 130 e hoje são 500, num total de 1300 funcionários, segundo indica o Morning Star.

Sobre a adesão à greve esta semana, o periódico destaca que, no centro do conflito, está a questão salarial e que a Amazon está a agir como se a paralisação não existisse, não havendo quaisquer sinais da parte da empresa de que vá ter em consideração os problemas colocados pelos trabalhadores.

Para a tarde desta quarta-feira, foi convocada uma mobilização em Coventry de apoio aos grevistas da Amazon, com o lema «We have had enough» (estamos fartos).

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