|Reino Unido

Trabalhadores da Amazon em Coventry avançam para a greve

Rejeitando a proposta de aumento salarial de meia libra por hora, os funcionários decidiram por maioria esmagadora avançar para a primeira greve formal nas instalações da multinacional no Reino Unido.

Instalações da Amazon 
Créditos / Morning Star

A primeira greve que a multinacional norte-americana do retalho – que tem sido acusada de práticas anti-sindicais – enfrenta em território britânico deve ter lugar em Janeiro, anunciou o sindicato GMB, que representa os trabalhadores.

A responsável principal do sindicato, Amanda Gearing, congratulou-se com a «votação histórica», afirmando que os trabalhadores «devem ser aplaudidos pela sua coragem e determinação, e por lutarem por aquilo que é correcto, num ambiente extremamente hostil».

Disse ainda, citada pela Reuters, que «os trabalhadores da Amazon em Coventry fizeram história – serão os primeiros no Reino Unido a participar numa greve formal» na empresa.

A votação, que encerrou esta sexta-feira, contou com a participação de 68% dos trabalhadores, 98% dos quais disseram «sim» à greve, anunciou o GMB.

Desta forma, os trabalhadores rejeitam a proposta de aumento salarial de meia libra (57 cêntimos) por hora, avançada pela multinacional.

«O facto de serem forçados a fazer greve para ganharem um salário decente numa das empresas mais valiosas devia ser fonte de vergonha para a Amazon», criticou a representante sindical.

Em seu entender, o gigante do retalho tem capacidade para fazer melhor. «Não é tarde para evitar greves e sentar-se à mesa com o GMB para melhorar os salários e as condições», disse Gearing, citada pelo Morning Star.

Hayley Greaves, trabalhador filiado no GMB que trabalha nas instalações de Coventry, no Centro de Inglaterra, disse ao The Guardian: «O custo de vida está a aumentar e estamos mesmo a passar mal. Se conseguirem, as pessoas trabalham 60 horas por semana; se não conseguirem 60 horas, fazem outros trabalhos.»

«Se nos unirmos e nos mantivermos juntos, talvez tenhamos uma hipótese de lutar e alcançar mudanças para todos», acrescentou.

No início deste ano, uma trabalhadora relatou ao periódico, anonimamente, as elevadas pressões exercidas sobre os funcionários, nomeadamente para que classifiquem centenas de artigos por hora.

«Se estás ali há quatro anos e é o teu quarto ou quinto turno da semana, és capaz de não conseguir fazer isso às três da manhã», disse.

Um porta-voz da empresa disse que valorizava o trabalho dos funcionários e que, desde 2018, tinham tido aumentos de 29% no salário mínimo por hora.

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