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Síria encara regresso à Liga Árabe, mas «não se sujeitará a chantagens»

«Quem tentar ignorar a Síria ou impor-lhe condições para voltar à Liga Árabe não terá sucesso», disse o vice-ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, que denunciou a ingerência fomentada pelo Ocidente.

Soldado sírio junto a uma bandeira nacional nas imediações dos Montes Golã ocupados
Soldado sírio junto a uma bandeira nacional nas imediações dos Montes Golã ocupados Créditos / Sputnik News

Ao fazer uso da palavra, este domingo à noite, num encontro com funcionários da Sociedade Britânico-Síria, em Damasco, Faisal Mekdad sublinhou que a «Síria é o coração do arabismo» e que «a Liga Árabe sem a Síria é um coração que não palpita».

Deixou claro, no entanto, que o seu país não «se sujeitará a chantagens, ao desrespeito por qualquer coisa relativa aos seus assuntos internos», nem irá alterar o seu posicionamento sobre «as causas justas que defende».

«Para nós, o importante é a posição do nosso país na região e a sua participação em todas as questões cruciais da Nação Árabe», disse, citado pela Prensa Latina, acrescentando que as decisões tomadas contra a Síria, especialmente a nível regional, surgiram e foram implementadas na sequência de instruções externas, de pressões norte-americanas.

Suspensão da Liga Árabe e regresso das embaixadas

Em Novembro de 2011, em plena campanha anti-Assad e pouco depois do início da guerra de agressão contra a Síria, que se prolonga há oito anos, a Liga Árabe suspendeu a participação da Síria – um dos seus estados fundadores – no organismo regional integrado por 22 países. A decisão foi aprovada com 18 votos a favor, três contra – Líbano, Iémen e Síria – e uma abstenção (Iraque).

Vários estados-membros da Liga Árabe fecharam então as suas embaixadas em Damasco, mas, com o Exército Árabe Sírio (EAS) e os seus aliados a alcançarem vitórias sucessivas sobre os grupos terroristas financiados e apoiados pelo Ocidente, a Turquia, as petro-ditaduras do Golfo e Israel, o ano passado começaram a verificar-se movimentações de teor diplomático, por parte de países da Liga Árabe, com vista ao reestablecimento de relações formais com Damasco.

Em Dezembro, os Emirados Árabes Unidos tornaram-se o primeiro país do Golfo a reabrir a sua embaixada na capital síria. O Bahrain, o Koweit, a Tunísia, o Egipto, a Mauritânia e o Sudão também anunciaram querer reabrir as suas sedes diplomáticas em Damasco.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros referiu-se a este facto, tendo afirmado que «está a seguir tudo o que tem a ver com o regresso da Síria à Liga Árabe e com o regresso das embaixadas a Damasco, trabalhando para o conseguir», mas denunciou que existem «pressões a nível regional e internacional» para impedir a concretização destes passos.

Pressão económica e política

Faisal Mekdad disse que as sanções económicas unilaterais impostas pelos Estados Unidos e os países ocidentais foram, juntamente com os seus instrumentos na região, «a principal razão do sofrimento do povo sírio».

«Por outras palavras – explicou Mekdad –, aquilo que os países ocidentais não conseguiram impor à Siria pela via militar vão tentar fazê-lo por via política e com a pressão económica, mas isto jamais acontecerá, pois somos um povo livre, independente e soberano».

«Somos sempre optimistas. As vitórias são grandes. Só falta Idlib e o chamado Leste do Eufrates [regiões fora do controlo do EAS]», destacou, acrescentando: «Os países ocidentais e da região que lançaram a guerra contra a Síria já não podem apostar em alcançar nenhum dos seus sonhos; só lhes resta provocar uma escalada na guerra económica.»

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