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Síria apela ao levantamento das sanções, também para fazer frente à pandemia

As autoridades sírias apelaram ao fim das sanções unilaterais impostas por EUA e UE contra o país, num contexto de combate ao surto de Covid-19, e expressaram solidariedade a Cuba, Venezuela e Irão.

As autoridades sírias classifficam as sanções como uma forma de «terrorismo económico» Créditos / Vestnik Kavkaza

Apesar de a Síria ainda não ter registado qualquer caso de infecção pelo novo coronavírus, as autoridades do pais árabe têm estado a tomar medidas para fazer frente à propagação da pandemia, que está a ter impacto em vários países vizinhos. A adopção dessas medidas é dificultada pelo garrote das sanções impostas ao país.

Numa nota emitida esta quinta-feira, o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros lembra que «o povo da República Árabe da Síria sofreu e ainda está a sofrer a agressão terrorista», bem como os efeitos das sanções, «que afecta a vida diária dos cidadãos e, em particular, o sector da saúde».

Neste sentido, exortou a comunidade internacional a respeitar os princípios do direito humanitário e da vida humana, e a trabalhar no levantamento, imediato e incondicional, das medidas coercitivas e unilaterais impostas, sobretudo tendo em conta o surto de Covid-19 nos países vizinhos.

A diplomacia síria critica os EUA e a UE por manterem as sanções ilegais contra diversos países, «alguns dos quais estão a sofrer enormemente com a propagação do vírus», e denuncia aquilo que classifica como uma «violação flagrante dos direitos humanos e dos valores e princípios humanos mais básicos», lê-se na nota, divulgada pela agência SANA.

O texto sublinha a completa solidariedade da Síria para com «o Irão, a Venezuela, Cuba e todos os estados em que a pandemia se espalhou ou que enfrentam o risco da sua propagação e estão sujeitos a sanções, num momento em que todos os esforços devem estar unidos» no combate ao surto.

País adiante-se à propagação da pandemia

Sem casos registados de infecção pelo novo coronavírus no país, a Comissão Económica da Presidência do Conselho de Ministros aprovou diversas medidas para garantir a produção de alimentos e abastecimento de material médico, adiantando-se assim a um eventual surto de Covid-19.

As medidas, que incluem a exoneração do pagamento de impostos, por um período de três meses, aos importadores de alimentos e matérias-primas para a indústria alimentar, e aos que importam artigos de limpeza e higiene e esterilizadores, foram aprovadas numa reunião liderada pelo primeiro-ministro, Imad Khamis.

No âmbito do encontro governametal, ficaram igualmente isentas de impostos empresas na área do turismo e da restauração – nos meses de Março e Abril – para que possam continuar a pagar os salários aos seus trabalhadores, refere a TeleSur.

Ainda no âmbito das medidas preventivas, o Ministério do Interior decretou esta sexta-feira a proibição de entrada no país, por um período de dois meses, de cidadãos provenientes da China, Itália, Irão, Coreia do Sul, Espanha, Alemanha, França, EUA, Japão, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia.

Por um período de um mês, ficam proibidos de entrar na Síria cidadãos provenientes do Qatar, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Koweit, Egipto, Iraque, Líbano, Arábia Saudita, Tunísia e Marrocos.

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