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Sindicatos lançam campanha pelo aumento do salário mínimo no Sri Lanka

Vários sindicatos iniciaram uma campanha para exigir o aumento do salário mínimo para os trabalhadores do sector privado, depois de o governo cingalês os ter deixado de fora de um regime geral.

Créditos / IndustriAll

Doze organizações sindicais lançaram uma campanha conjunta contra a decisão do governo do Sri Lanka de excluir os trabalhadores do sector privado de um regime que garante um subsídio mensal de 5000 rupias cingalesas (cerca de 22 euros) aos trabalhadores do sector público e aos pensionistas.

Anton Marcus, dirigente de um dos sindicatos envolvidos na luta, explicou que, no âmbito da campanha, serão formados comités de activistas nas aldeias, por todo o país, com o objectivo de mobilizar os cidadãos para que exijam ao governo o pagamento das 5000 rupias a todos os trabalhadores, refere o Peoples Dispatch.

No dia 3 de Janeiro, as autoridades cingalesas anunciaram um pacote de ajuda económica, superior a mil milhões de euros, que incluía, entre outras medidas, a atribuição de um subsídio especial mensal aos funcionários públicos, a pensionistas e militares com deficiência, num contexto de grave crise cambial e, explica ainda o Hindustan Times, de perda de colheitas, depois da decisão do governo de proibir fertilizantes químicos.

Fora desta ajuda ficaram os trabalhadores do sector privado, cujo salário mínimo ronda as 16 mil rupias (72 euros), e, na sequência da decisão do governo liderado por Gotabaya Rajapaksa, os sindicatos começaram a mobilizar-se.

Depois de um encontro conjunto, diversos sindicatos do país dinamizaram um protesto em toda a ilha, a 21 de Janeiro. Desde então, as estruturas sindicais têm vindo a fazer pressão para que os deputados apresentem no Parlamento um projecto de lei sobre o salário mínimo.

Em Outubro do ano passado, refere o Peoples Dispatch, o Conselho Consultivo Nacional do Trabalho (NLAC, na sigla em inglês) já tinha recomendado ao governo que aumentasse o salário mínimo dos trabalhadores do sector privado para 26 mil rupias (cerca de 117 euros) e lhes garantisse, no orçamento de 2022, a atribuição de um subsídio para bens essenciais.

Segundo refere a fonte, o executivo cingalês chegou a ponderar a atribuição de um subsídio especial também ao sector privado, tendo-se deparado com a oposição do patronato à medida.

Os patrões alegam que ainda estão a sofrer as perdas económicas associadas à pandemia de Covid-19 e que aumentaram o salário mínimo para 26 mil rupias – algo que os trabalhadores e as suas organizações denunciam como falso.

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