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Sindicatos e movimentos sociais denunciam «espiral autoritária» em França

Mais um dirigente sindical da CGT foi detido e vai ter de prestar declarações, pelo que a Intersindical e organizações sociais agendaram uma concentração de protesto contra o agravamento da repressão no país.

Mobilização de apoio ao dirigente da CGT detido em Saint-Denis, em Abril último Créditos / humanite.fr

Numa nota conjunta, divulgada nas redes sociais pelas organizações que integram a Intersindical e outras, anuncia-se uma mobilização de protesto para 11 de Junho contra a repressão no departamento de Seine-Saint-Denis (na área metropolitana de Paris).

A concentração terá lugar junto ao local onde, nesse dia, o secretário departamental da Confederação Geral do Trabalho (CGT) terá de prestar declarações, depois de ter sido detido no passado dia 4 de Abril.

Então, por ocasião de uma visita do Presidente da República a Saint-Denis, o dirigente sindical participou, em conjunto com o pessoal da Educação, numa acção para plasmar as reivindicações do sector e a necessidade de acções urgentes em defesa da escola pública.

A mobilização foi pacífica, segundo os promotores, mas não assim a intervenção da Brigada de Repressão de Acção Violenta Motorizada (BRAV-M) – uma unidade da Polícia acusada bastas vezes de agir de forma agressiva e que, em Saint-Denis, gerou «tensão». Nesse contexto, foi detido o dirigente da CGT.

Para os promotores da concentração do próximo dia 11 de Junho, este episódio ocorre num contexto de «agravamento da repressão contra muitos actores dos movimentos sociais e ambientalistas».

Não há conquistas sem liberdade sindical

«Em Seine-Saint-Denis, como noutros pontos de França, multiplicam-se as intimações a activistas sindicais empenhados na defesa do bem comum», denunciam, acrescentando que assistem «com consternação a tentativas de intimidação judicial dos principais intervenientes no debate público» ou à «criminalização do apoio à paz na Palestina».

O texto alerta para «uma espiral autoritária sem precedentes», que é «ainda mais perigosa num momento em que a ofensiva política da extrema-direita», apoiada por alguma comunicação social, «vive uma dinâmica raramente alcançada e que implica graves consequências para a sociedade como um todo».

Intersindical e demais organizações, como o Movimento contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos (MRAP), a Liga dos Direitos do Homem ou a Federação dos Conselhos de Pais (FCPE), afirmam que as presidências de Macron ficam marcadas por numerosas leis que restringem as liberdades públicas e, entre vários exemplos, referem-se ao facto de as disposições do estado de emergência terem entrado no direito comum.

No entanto, sublinham que o departamento de Seine-Saint-Denis, «activo e exigente», tem consciência de que «não há conquistas sociais sem liberdades sindicais» e de que cada ataque às nossas liberdades públicas enfraquece a democracia».

Por isso, apelam à mobilização de todos pela retirada das acusações contra o dirigente da CGT e em defesa dos direitos e liberdades – de expressão, de reunião, de manifestação e de associação.

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