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Sindicatos de jornalistas exigem a libertação de Julian Assange

«Pedimos que Julian Assange seja libertado, reabilitado e entregue à sua família, que possa por fim viver normalmente», disse esta quarta-feira o presidente da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

O fundador do WikiLeaks foi detido pela Polícia britânica em 2019 
O fundador do WikiLeaks foi detido pela Polícia britânica em 2019 Créditos / Télam

A FIJ e mais uma dezena de sindicatos do sector instaram ontem as autoridades britânicas a «libertar imediatamente e sem condições» o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, depois de, na semana passada, Londres ter aprovado a sua extradição para os Estados Unidos.

Assange, de 50 anos, é reclamado pela Justiça norte-americana pela publicação de mais de 700 mil documentos classificados sobre as actividades militares e diplomáticas dos EUA, especialmente no Iraque e no Afeganistão, desde 2010. Incorre numa pena de 175 anos de prisão.

Entre os documentos, refere a agência argentina Télam, figurava um vídeo que mostrava civis, incluindo dois jornalistas da agência Reuters, que foram mortos por disparos de um helicóptero de combate norte-americano no Iraque, em Julho de 2007.

Depois de uma longa batalha judicial, o governo de Boris Johnson confirmou, no passado dia 17, a sua extradição para os Estados Unidos, país que o acusa de espionagem.

«Se Julian Assange for libertado, ter-lhe-ão roubado dez anos de vida», sublinhou esta quarta-feira, numa conferência de imprensa em Genebra (Suíça), Dominique Pradalié, presidente da FIJ.

A organização a que Pradalié preside representa cerca de 600 mil profissionais de mais de 180 sindicatos e federações do sector, em 140 países.

«Isto estabelece um precedente muito perigoso para a liberdade de imprensa», acrescentou Mika Beuster, co-presidente da Associação de Jornalistas Alemães, que conta com 30 mil membros.

«Ao extraditar Assange, estamos a fazer da democracia refém», afirmou, por seu lado, Pierre Ruetschi, director do Clube de Imprensa suíço.

Solidariedade e alerta na Argentina

Também o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (Sipreba) – que integra a Federação Argentina de Trabalhadores da Imprensa (Fatpren), que por sua vez faz parte da FIJ –, repudiou «a decisão das autoridades britânicas de extraditar Julian Assange» e exigiu a libertação do jornalista australiano.

Em Maio último, indica a Télam, o Sipreba promoveu uma carta aberta às autoridades britânicas para pedir a rejeição da extradição do jornalista Julian Assange, bem como a sua libertação, que contou com as assinaturas de Nora Cortiñas e Taty Almeida – membros destacados das Mães da Praça de Maio – e de mais de mil personalidades das áreas dos direitos humanos, da comunicação, do movimento sindical e da cultura.

«O seu processamento estabelece um precedente perigoso que pode ser aplicado a qualquer meio de comunicação que publique histórias baseadas em informação filtrada, ou inclusive a qualquer jornalista, editor ou fonte em qualquer parte do mundo», apontava a missiva.

O fundador do WikiLeaks foi preso pela Polícia britânica em 2019, depois de ter estado refugiado durante sete anos na Embaixada do Equador em Londres.

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