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Repressão israelita na Cisjordânia e bombardeamentos sobre Gaza

Em Gaza, mais de 20 palestinianos foram mortos em ataques israelitas. Na Cisjordânia, as forças de ocupação provocaram dezenas de feridos, esta madrugada. O MPPM condena a «violência sionista».

Nos últimos dias, as forças israelitas entraram repetidamente no complexo da Mesquita de al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, atacando os palestinianos com disparos, granadas atordoantes e gás lacrimogéneo 
Nos últimos dias, as forças israelitas entraram repetidamente no complexo da Mesquita de al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, atacando os palestinianos com disparos, granadas atordoantes e gás lacrimogéneo CréditosMostafa Alkharouf / Anadolu

Pelo menos 22 palestinianos perderam a vida na sequência de ataques aéreos perpetrados pelas forças israelitas ontem e hoje. O número é avançado pela agência WAFA. Já o Palestinian Information Center (Palinfo) regista 24 mortes e mais de cem feridos.

Ontem, o Ministério palestiniano da Saúde informou que 20 palestinianos, incluindo nove crianças, tinham sido mortos em raides aéreos israelitas sobre o enclave costeiro cercado.

De acordo com o Palinfo, tratar-se-ia de uma acção de retaliação de Israel, depois de várias facções da resistência palestiniana em Gaza terem disparado rockets para «alvos israelitas» na segunda-feira como resposta aos ataques sionistas dos últimos dias à Mesquita de al-Aqsa e ao Bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental ocupada.

Os militares israelitas afirmaram ter interceptado e destruído a maioria dos mísseis, refere a PressTV, que cita a Al Jazeera.

Repressão e dezenas de palestinianos feridos em vários pontos da Cisjordânia

Ontem, a imprensa tinha noticiado que as forças israelitas haviam reforçado o seu contingente de tropas na Margem Ocidental ocupada, e esta madrugada confirmaram-se as previsões: dezenas de palestinianos feridos, muitos dos quais com fogo real, segundo informou o Ministério palestiniano da Saúde.

Na sequência da brutal intervenção das forças israelitas, esta segunda-feira, no complexo da Mesquita de al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém – que, segundo o Crescente Vermelho, provocou mais de 330 feridos entre os palestinianos –, registaram-se confrontos, esta madrugada a norte de Ramallah, no checkpoint de DCO, onde nove palestinianos foram atingidos com balas de aço revistas de borracha, e no posto de controlo de Qalandia, a sul da mesma cidade, onde, refere a WAFA, 37 pessoas foram atingidas pelas forças israelitas com balas de borracha.

A mesma fonte dá conta de intensa repressão no Norte da Cisjordânia ocupada, nomeadamente em Jenin, Nablus e Tulkarem, onde vários palestinianos foram atingidos com fogo real e outros sofreram problemas respiratórios derivados da inalação de gás lacrimogéneo.

No Sul da Margem Ocidental ocupada, pelo menos sete pessoas foram atingidas com fogo real e dez com balas de borracha em Hebron (al-Khalil); em Belém, informa ainda a WAFA, as forças israelitas atingiram um manifestante na cara com uma lata de gás lacrimogéneo.

«MPPM condena veementemente a violência sionista em Jerusalém»

Num comunicado emitido esta segunda-feira, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) declara a condenação enérgica da «violência do Exército, da Polícia e dos colonos israelitas sobre palestinianos em Jerusalém e atribui toda a responsabilidade pela explosão de violência à ocupação por Israel e aos seus apoiantes».

O movimento solidário lembra que «a Cidade Velha de Jerusalém assistiu, nas últimas semanas, a ataques covardes a residentes palestinianos e a marchas de israelitas de extrema-direita reclamando "Morte aos Árabes!"», sublinhando que «a impunidade de que gozam os extremistas israelitas estimula-os a incrementar o seu discurso de ódio contra os palestinianos».

Afirma igualmente que «têm suscitado manifestações de condenação os anunciados despejos de famílias palestinianas, no Bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, das casas onde habitam há gerações, para as atribuir a colonos judeus, em nome de um pretenso ancestral direito de propriedade».

O MPPM recorda, no entanto, que «este é apenas o mais recente episódio numa longa série de expropriações, demolições e despejos que têm assombrado a vida das famílias palestinianas, sempre com o objectivo de as levar a deixar caminho livre para a ocupação».

Neste contexto, o MPPM reclama ao Governo português que condene inequivocamente a violência das forças e dos colonos israelitas contra pessoas e bens palestinianos; exija ao governo de Israel o fim das limpezas étnicas e o respeito pelos direitos dos palestinianos; reconheça o Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967 e com Jerusalém Oriental como sua capital, seguindo recomendações aprovadas pela Assembleia da República.

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