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Depois dos assassinatos, Trump diz que ICE fez «um trabalho fenomenal»

Além dos assassinatos, do encarceramento em massa e detenção de crianças no Minnesota, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, pediu a entrega das listas de recenseamento eleitoral do estado. O ICE configura cada vez mais uma polícia política. 

A Itália fascista tinha os Camisas Negras, a Alemanha nazi-fascista tinha as SA e as SS, e Portugal fascista tinha a Legião Portuguesa. Seguindo a tradição fascista, Donald Trump pegou no Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) e transformou-o numa milícia armada que procura impor o poder pela força. 

Nas últimas semanas têm-se multiplicado os casos de abuso por parte do ICE no estado do Minnesota. No sábado, a cidade de Minneapolis registou o segundo assassinato de um civil em três semanas por agentes federais. O alvo desta vez foi Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos e nacionalidade americana. A 7 de janeiro, a cidadã americana Renée Good foi baleada à queima roupa por agentes do ICE e assassinada. 

«Agora temos dois moradores de Minnesota mortos. Não tivemos tempo de começar a contar a história de Renee, de uma poeta, de uma mãe e de um espírito luminoso, e agora estamos a contar a história de Alex. Então, a minha pergunta é: qual é o plano, Donald Trump? Qual é o plano? O que precisamos fazer para tirar esses agentes federais do nosso estado? Se achou que responderíamos com medo, violência e caos, então claramente subestimou o povo deste estado e desta nação. Estamos cansados, mas estamos determinados. Somos pacíficos, mas nunca esqueceremos. Estamos com raiva, mas não vamos perder a esperança. E, acima de tudo, estamos claramente unidos», afirmou Tim Walz, governador do Minnesota. 

Como se isto não fosse, o terror espalhado pelo ICE não fica por aqui. Na passada sexta-feira as autoridades federais de imigração norte-americanas detiveram uma menina de dois ano que estava com o pai quando ambos foram detidos.⁠ Na mesma semana, ficou viral nas redes sociais um outro menino de cinco anos que, ao voltar da escola, foi também detido pelo ICE. A isso a população respondeu com revolta e saiu à rua para exigir que o ICE saísse do seu estado. 

Em reacção à morte de Alex Pretti, nas suas redes sociais, Donald Trump acusou ontem os seus adversários políticos de se recusarem «a cooperar com o ICE»: «Na verdade, incentivam agitadores de esquerda a obstruir ilegalmente as suas operações para prender as piores pessoas».

Horas depois, o presidente norte-americano, numa curta entrevista ao Wall Street Journal, disse que num dado momento o ICE sairá do MInnesota. «Eles fizeram um trabalho fenomenal», afirmou Trump, revelando que para si pouco importa os direitos humanos ou os impactos da violência promovida por si. Apesar da promessa de saída do ICE, Trump afirmou, porém, que vai «deixar lá um grupo diferente de pessoas, devido à fraude na assistência social». 

Apesar dessa promessa de Trump, tudo indica que o terror não ficará por aqui. Numa notícia de 31 de Dezembro do ano passado, o The Washington Post dá conta que planeia investir 100 milhões de dólares para recrutar pessoas tenciona usar influenciadores e anúncios com segmentação geográfica para impulsionar os seus esforços na contratação de milhares de agentes de deportação em todo o país.

Conforme o The Intercept noticia, após o ICE ter assassinado Renee Good, a conta oficial do Departamento de Segurança Interna no Instagram publicou um vídeo de recrutamento onde se lia «teremos a nossa casa de volta», anexando uma música com o mesmo nome da banda Pine Tree Riots. Popularizada em círculos neonazis, a canção contém versos sobre recuperar «a nossa casa» com «sangue e suor» (Blood & Honor), linguagem frequentemente usada em discursos fascistas que incitam a guerra racial e o nome de um movimento internacional neonazi. 

De forma articular os vários elementos de repressão e perseguição, este sábado, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, enviou uma carta às autoridades do Minnesota, exigindo a entrega das listas de recenseamento eleitoral do estado. Segundo a mesma, a entrega do documento servirá para «acabar com o caos». Importa relembrar que para Trump, a resistência popular ao ICE tem sido organizada pelos democratas, o que pode indicar que a lista pedida servirá para perseguir quem não apoia as suas políticas.

Face à crise estrutural do capitalismo que afecta particularmente o Estados Unidos, centro de decisão e definidor do imperialismo, a resposta do grande capital norte-americano passa pelo reforço da opressão com uma Administração que assume cada vez mais a sua verdadeira face e que não se importa de adoptar táticas do fascismo para se manter no poder.
 

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