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Polónia honra colaboradores nazis em Varsóvia

Representantes políticos juntaram-se a veteranos de guerra, este domingo, para render homenagem a uma força paramilitar que, na Segunda Guerra Mundial, colaborou com os nazis.

Representantes políticos, veteranos de guerra e neonazis homenageiam força paramilitar que colaborou com os nazis no final da Segunda Guerra Mundial
Representantes políticos, veteranos de guerra e neonazis homenageiam força paramilitar que colaborou com os nazis no final da Segunda Guerra Mundial Créditos / The Sydney Morning Herald

Enaltecer e glorificar a acção de grupos armados que colaboraram com nazis alemães na Segunda Grande Guerra e combateram o Exército Vermelho e grupos de partisans comunistas tornou-se algo de comum nos países do Báltico, na Ucrânia, na Polónia.

Este domingo, foi a vez do partido de direita Lei e Justiça, no governo da Polónia, honrar a Brigada das Montanhas da Cruz Sagrada das Forças Armadas Nacionais, por ocasião do 75.º aniversário da sua fundação.

As cerimónias, que começaram com uma missa em honra dos membros do grupo paramilitar de extrema-direita, que combateu partisans soviéticos e comunistas polacos, contaram com o apoio do presidente polaco, Andrzej Duda, e com a presença de representantes do partido no governo, que assim fizeram questão de sublinhar a «reabilitação» dos colaboracionistas com os nazis.

De acordo com a Associated Press, as honras prestadas a uma unidade paralimitar – pelos «sacrifícios feitos em prol da Pátria» – que é louvada actualmente na Polónia por grupos nacionalistas e neonazis enquadra-se na tentativa de o Lei e Justiça apelar ao voto da extrema-direita, a poucos meses das eleições parlamentares, marcadas para Outubro.

No entanto, a mesma fonte relembra que a reabilitação oficial da Brigada das Montanhas da Cruz Sagrada começou em Fevereiro de 2018, altura em que o primeiro-ministro da Polónia, Mateusz Morawiecki, honrou os seus membros num cemitério em Munique, no Sul da Alemanha.

As cerimónias deste domingo em Varsóvia foram criticadas por descendentes dos combatentes da resistência polaca, enquanto opositores à realização da cerimónia realizaram uma acção de protesto, exibindo faixas em que se lia «Não à colaboração» e «Colaborar com o inimigo é traição».

Recorde-se que, ao mesmo tempo que o governo polaco promove a reabilitação das forças fascistas, anti-comunistas e colaboracionistas com os nazis na Segunda Guerra Mundial, leva a cabo iniciativas que visam a criminalização da ideologia comunista e a interdição da actividade dos comunistas polacos.

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