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Marcha em honra dos colaboracionistas nazis voltou à capital da Letónia

O Dia do Legionário voltou a ser assinalado na Letónia, em homenagem aos mais de 140 mil letões que integraram unidades nazis. De acordo com a TV pública, o evento foi «pacífico».

Marcha do Dia do Legionário, em Riga (imagem de arquivo) 
Marcha do Dia do Legionário, em Riga (imagem de arquivo) Créditos / baltictimes.com

O Dia do Legionário, a 16 de Março, é assinalado na Letónia desde os anos 90, para homenagear e evocar aqueles que fizeram parte da Legião da Letónia na Waffen Schutzstaffel (Tropa de Protecção Armada, mais conhecida como Waffen-SS).

O evento tem carácter anual, mas a sua realização foi suspensa nos últimos dois anos, devido às restrições associadas à pandemia de Covid-19. Esta quarta-feira, várias centenas de pessoas juntaram-se para participar na marcha, que, segundo a TV pública da Letónia, decorreu de forma «pacífica», sem grandes detalhes.

Em edições anteriores, o desfile contou com a participação de neonazis e veteranos legionários, que integraram a 15.ª e a 19ª divisões de Granadeiros da Waffen-SS.

A marcha tem sido alvo de contestação interna – com manifestantes a classificarem a Legião como «organização criminosa» e a lembrarem que «lutou ao lado de Hitler» – e criticada internacionalmente como forma de «glorificação do nazismo».

Organizações judaicas também têm denunciado sistematicamente este tipo de eventos em honra de colaboradores nazis, comuns nos estados bálticos e na Ucrânia.

Na edição anterior, em 2019, a Embaixada da Rússia no país do Báltico condenou a marcha de homenagem aos legionários da Waffen-SS, que classificou como «uma vergonha», lembrando que tal acontecia «na véspera do aniversário dos 75 anos da libertação de Riga dos invasores nazis».

A Waffen-SS, que foi criada como uma ala armada do Partido Nazi alemão, foi considerada uma organização criminosa nos julgamentos de Nuremberga, após a Segunda Guerra Mundial, pela sua ligação ao Partido Nazi e envolvimento em inúmeros crimes de guerra e contra a Humanidade.

Glorificação do nazismo e reescrita da história

A Legião da Waffen-SS da Letónia foi fundada em 1943. Muitos dos seus membros viriam a integrar depois, juntamente com combatentes da Lituânia e da Estónia, os chamados Irmãos da Floresta, que lutaram contra as tropas soviéticas nos países bálticos até meados dos anos 50.

Em Julho de 2017, a NATO publicou um vídeo que apresentava, com visível dose de heroísmo, essa guerrilha anti-soviética, sem mostrar grande preocupação pelo facto de, nessas forças, estarem integrados muitos legionários das SS nazis ou os que, nos países bálticos, haviam colaborado com as forças invasoras nazi-fascistas.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, pediu então que «se repudiasse tão repugnante acção da Aliança Atlântica». Disse ainda esperar que «não seja necessário recordar os assassinatos massivos perpetrados por muitos dos membros dos Irmãos da Floresta».

A representação da Rússia junto da NATO também se pronunciou, considerando que o material fílmico constituía uma nova tentativa de reescrever a história, para a colocar de acordo com os processos políticos nas ex-repúblicas socialistas do Báltico, onde prolifera o neofascismo e o nacionalismo.

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