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Países latino-americanos condenam leilão de bens culturais em França

As embaixadas de Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá e Peru em França repudiaram, esta sexta-feira, um leilão de bens culturais pré-colombianos agendado para Paris.

Peças pré-hispânicas reclamadas pelo México, em Paris, em 2019 
Peças pré-hispânicas reclamadas pelo México, em Paris, em 2019 CréditosPhilippe Lopez / hispanospress.com

Num comunicado conjunto, as sedes diplomáticas dos sete países latino-americanos denunciam de forma enérgica o leilão «Los Imperios de Luz (IV) Colecciones Privadas Europeas de Arte Precolombino», que deverá ter lugar na próxima segunda-feira, 3 de Abril, e foi organizado pela casa Millon et Associés.

«Mantemos o firme propósito de promover acções para travar a comercialização de bens que pertencem aos nossos respectivos estados e de realizar acções de sensibilização para que se reconheça que fazem parte do património histórico da humanidade», refere o documento.

O texto conjunto, ontem emitido, destaca que este tipo de transacções «fomenta o saque, o tráfico ilícito e o branqueamento de bens perpetrados pela delinquência organizada transnacional».

Além disso – denunciam as embaixadas –, os leilões «atentam contra a arqueologia moderna, ao incentivar escavações ilegais para extrair objectos», e «privam as peças substraídas da sua essência cultural, histórica e simbólica, reduzindo-as a simples objectos de decoração de particulares».

Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá e Peru defendem ainda que estas transacções «minam a cooperação entre os estados para a protecção e conservação do património cultural», e «alentam um mercado de falsificações».

«Estamos comprometidos com uma diplomacia activa, em defesa dos nossos patrimónios pela via jurídica, bilateralmente com o governo francês, e multilateralmente, sobretudo via Unesco», afirma o texto.

No caso de França, acrescentam, a legislação que regula as vendas e leilões dos bens culturais decreta que a restituição das peças depende da vontade do possuidor privado, o que limita consideravelmente o âmbito de acção dos países que lutam pela protecção do património cultural pré-hispânico e colonial, e que procuram travar o seu tráfico ilícito.

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