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Nicaraguenses regressam à «normalidade», mas continuam a exigir justiça

Avança a reconstrução de infra-estruturas destruídas nos três meses de agitação golpista, que provocou 198 mortos no país centro-americano. As vítimas do terrorismo exigem «reparação e justiça».

A maioria dos nicaraguenses defende a paz
A maioria dos nicaraguenses defende a pazCréditos / Twitter

Milhares de pessoas voltaram a manifestar-se, este sábado, na capital do país, Manágua, para exigir justiça e reparação para as vítimas da violência que marcou a intentona golpista, provocada pela extrema-direita, com apoio financeiro norte-americano.

Entre a Praça das Vitórias e a Avenida de Bolívar a Chávez, os manifestantes exigiram também «castigo» para os autores dos crimes que conduziram à morte de 198 pessoas, entre 18 de Abril e 25 de Julho, de acordo com números oficiais referidos pela Prensa Latina.

«Famílias, estudantes, docentes, trabalhadores e povo em geral exigiram respeito pelos direitos humanos, justiça e reparação para os assassinados, sequestrados, torturados, violados, feridos, e os que perderam os seus seres queridos, casas e meios de subsistência durante os últimos meses», precisa a mesma fonte, que refere que as acções deste género – para reclamar paz, justiça e reparação para as vítimas – se têm intensificado nas últimas semanas.

A jornada de mobilização, também marcada pela reivindicação da paz e pelo apoio à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), serviu ainda para assinalar o 38.º aniversário da Cruzada Nacional de Alfabetização «Heróis e Mártires pela Libertação da Nicarágua», que permitiu reduzir a taxa de analfabetismo herdada da ditadura de Somoza, superior a 50%, para perto de 10%.

«O país regressa à normalidade»

«A Nicarágua regressa à paz e à normalidade, depois de ter estado praticamente três meses submetida às acções de vandalismo perpetradas por grupos violentos», disse esta segunda-feira Bettina Rodríguez, embaixadora do país centro-americano na República Dominicana.

Em declarações à Prensa Latina, a diplomata sublinhou que o governo nicaraguense está a levar a cabo uma série de medidas e trabalhos que não visam conduzir o país «ao seu estado inicial (isso é difícil, depois de tudo o que se passou)», mas que têm por objectivo fazer com que «as populações possam realizar a sua vida quotidiana».

Neste sentido – explicou –, «estão a ser realizados encontros com as populações para aferir as suas necessidades em cada localidade e, dentro do possível, encontrar soluções para os problemas».

Ao nível da reconstrução do país, Rodríguez referiu os esforços efectuados na rede viária, muito danificada pela violência dos últimos meses, destacou a recuperação das infra-estruturas no sector do turismo – cerca de 70% já estão em condições de prestar atendimento aos visitantes – e classificou como «muito importante» o início das aulas nos níveis primário e secundário em todo o país.

Tentativa de golpe e mais de três meses de violência

O país centro-americano foi palco de acções de terrorismo e de grande violência nas ruas durante mais de três meses, promovidos por grupos da oposição de direita, segundo denunciou o governo de Daniel Ortega.

Os protestos, que visavam alegadamente a reforma da Segurança Social, prosseguiram e intensificaram-se mesmo depois da sua revogação, levando o governo sandinista a denunciar os propósitos políticos subjacentes ao «caos nas ruas».

No entender dos sandinistas e de vários analistas internacionais, tratou-se apenas de um pretexto para pôr em marcha um plano orientado a partir dos EUA com o propósito de desestabilizar o país e provocar a queda do governo.

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