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Solidariedade com a Revolução Sandinista foi vincada no Chile

Presente na iniciativa solidária em Santiago, a embaixadora nicaraguense no Chile caracterizou a tentativa de golpe de Estado no seu país como um «golpe brando de última geração».

Para além de actos de solidariedade com a Revolução Sandinista, no seu 39.º aniversário, o final desta semana ficou marcado por uma manifestação, em Manágua, para exigir justiça para as vítimas da «violência terrorista»
Para além de actos de solidariedade com a Revolução Sandinista, no seu 39.º aniversário, o final desta semana ficou marcado por uma manifestação, em Manágua, para exigir justiça para as vítimas da «violência terrorista»Créditos / El 19 Digital

Num acto pleno de emoção, em Santiago do Chile, familiares de combatentes internacionalistas, partidos políticos e grupos de amizade fizeram questão de deixar clara a solidariedade com a Revolução Sandinista, a propósito do seu 39.º aniversário, que uma maré humana celebrou, no passado dia 19, na capital da Nicarágua, Manágua.

Presentes no Mausoléu dos Combatentes do Amor e da Esperança, este domingo, estiveram elementos da Corporación Memoria y Lucha Popular, do Comité Chileno de Solidaridad con Nicaragua, da Unión Bicentenaria de los Pueblos-Capítulo Chile e da Coordinadora de Solidaridad con Cuba.

Para além disso, refere a Prensa Latina, artistas e diplomatas de diversos países deixaram expresso o seu apoio a uma solução pacífica, e sem ingerências estrangeiras, dos problemas internos do país centro-americano.

Ao intervir na iniciativa, a embaixadora da Nicarágua no Chile, María Luisa Robleto, agradeceu a «solidariedade incondicional» que, proveniente do Chile e de outros pontos do mundo, os nicaraguenses puderam sentir desde o início.

Agradecendo de forma especial à «heróica Cuba», aos «irmãos salvadorenhos» e à «Venezuela que resiste», Robleto lembrou igualmente o apoio do Partido Comunista do Chile, do Movimiento Salvador Allende e dos partidos da Frente Ampla.

Sobre o golpe de Estado que o seu país enfrenta, a embaixadora caracterizou-o como sendo um «golpe brando de última geração, com violência, terrorismo, ingerência externa e cumplicidade local de sectores políticos, empresariais e alguns membros da hierarquia da Igreja Católica».

De «forma hipócrita», a «conspiração armada» que a Nicarágua enfrenta tem sido apresentada como «resistência pacífica», sublinhou, acrescentando que é «financiada por forças internas antidemocráticas» e «por forças externas que se podem identificar».

María Luisa Robleto explicou ainda que, com a participação dos cidadãos, se conseguiu retomar o controlo do país e que continuam vigentes os apelos à reinstalação da Mesa de Diálogo Nacional e à Igreja para que afaste dessa Mesa «os bispos que conspiraram abertamente com a oposição», indica a Prensa Latina.

Milhares de nicaraguenses exigem justiça

No final de uma semana marcada pelo 39.º aniversário do triunfo da Revolução Sandinista e pelas grandes mobilizações que o assinalaram, milhares de nicaraguenses manifestaram-se, este sábado, em Manágua, para exigir «justiça e reparação para as vítimas do terrorismo golpista».

«Assassinos, delinquentes» foi uma das palavras de ordem que a multidão gritou para repudiar a intentona golpista da direita, com a cumplicidade de membros da Igreja Católica, e o apoio declarado do imperialismo norte-americano.

«Onde estavam os bispos quando nos massacravam? Porque não apareceram quando nos mantinham sequestrados?», perguntaram alguns dos participantes na mobilização, citados pela Prensa Latina, ao denunciarem a parcialidade de alguns prelados na Mesa de Diálogo Nacional a favor da chamada Alianza Cívica para la Justicia y la Democracia (oposição de direita).

Criticando a manipulação mediática orquestrada por órgãos privados afins a grupos empresariais e à direita, os manifestantes «pediram castigo para quem cometeu crimes, bem como para os membros da oposição que promoveram a violência e o ódio».

Os participantes na marcha desfilaram exibindo cartazes e fotos de vítimas da «violência terrorista», e gritaram ainda palavras de ordem como «Nicarágua quer paz, Daniel (Ortega) fica», «Pátria Livre ou Morrer» e «Não eram estudantes, eram delinquentes».

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