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Nicarágua desafia EUA a cumprir a sentença de Haia

«Desafiamos os Estados Unidos a cumprir a sentença de Haia para indemnizar o país», afirmou Daniel Ortega a propósito do 37.º aniversário da vitória que a Nicarágua alcançou no tribunal internacional.

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O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, liderou na terça-feira à noite uma cerimónia de Estado realizada para assinalar a histórica sentença do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), com sede em Haia (Países Baixos), que condenou os EUA pelos danos provocados pelas actividades militares e paramilitares no país centro-americano.

Na sequência da queixa interposta em 1984 pelo governo sandinista contra os EUA, a 27 de Junho de 1986, o TIJ deliberou a favor da Nicarágua, com base nos princípios de não ingerência e de uso da força.

Essa sentença é «sobre uma etapa da história da Nicarágua», «na qual fomos vítimas da agressão imperialista», disse o chefe de Estado em Manágua, num acto em que se referiu aos EUA como «Estado terrorista, que lançou agressões por todos os lados, espalhou morte em todo o mundo».

«Aqui lhes apresentamos a conta, porque a dívida é grande. A dívida que os Estados Unidos têm com Nicarágua e com os povos do mundo significa milhares e milhões de mortos, milhares e milhões de torturados», afirmou, citado pela TeleSur.

«Não houve ao longo da história potência mais criminosa que a norte-americana», insistiu Ortega, sublinhando que não se trata do «povo norte-americano», mas «dos interesses que ali prevalecem».

Neste contexto, destacou a hipocrisia da administração de Washington, que constantemente se apresenta «como os grandes defensores dos Direitos Humanos», mas nem sequer protege as crianças e os jovens, «todos os dias vítimas de crimes nas escolas, ruas e bairros».

Os Estados Unidos têm todo o poder para acabar com isso, «mas faz parte de um negócio que envolve altos funcionários do governo, autoridades locais e fronteiriças», acusou Ortega, que deu como exemplo a forma como a droga entra no país norte-americano.

Na cerimónia, em que estiveram representadas várias autoridades do país centro-americano, o dirigente sandinista afirmou que a sentença de Haia «foi mais uma vitória do povo nicaraguense» e desafiou os EUA a cumpri-la, indemnizando a Nicarágua.

Se isso acontecer, será possível começar a acreditar que vão respeitar os organismos internacionais, disse Ortega, frisando que até agora esses organismos têm sido utilizados pelos Estados Unidos para «agredir, difamar, invadir e bloquear povos irmãos como Cuba e a Venezuela».

Neste contexto, apontou igualmente os golpes de Estado perpetrados contra vários governos progressistas na região por forças de direita apoiadas por Washington, tendo-se referido ao ocorrido na Bolívia, em 2019, contra Evo Morales, e depois no Peru, contra Pedro Castillo.

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