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Nasrallah: «Resistência libanesa é hoje mais forte»

No discurso a propósito do 12.º aniversário do fim da guerra dos 33 dias no Líbano, Hassan Nasrallah sublinhou o «fracasso» das políticas levadas a cabo pelos EUA na Palestina, na Síria e no Irão.

Tropas do Hezbollah
Tropas do HezbollahCréditos / wisozk.info

Falando num canal de televisão libanês, o secretário-geral do Hezbollah repudiou o chamado «acordo do século» que a actual administração norte-americana quer implementar na Palestina, sublinhando que nenhuma facção política palestiniana lhe declarou o seu apoio.

Apresentado como um plano para alcançar a paz entre Israel e a Palestina, o acordo referido foi proposto o ano passado e, apesar de permanecer em grande medida na penumbra, foi rejeitado pelos palestinianos, que sublinham, entre outras questões, que a sua adopção implicará o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a anexação dos grandes colonatos construídos na Margem Ocidental ocupada.

Relativamente à guerra ainda em curso na Síria, Sayyed Hassan Nasrallah denunciou a aliança entre Israel, a Arábia Saudita, os EUA e outras potências ocidentais para derrubar o governo de Bashar al-Assad. No entanto, o líder do movimento de resistência libanês considera que esse plano «já fracassou», sendo a prova disso a disposição expressa por vários países para retomar os laços diplomáticos com a Síria.

«Tal como vencemos a guerra em 2006, também venceremos a guerra contra o terrorismo na Síria», frisou, citado pela HispanTV.

«O Irão vai resistir»

O secretário-geral do Hezbollah afirmou que, «como eles [o Ocidente] não podem entrar em guerra com o Irão, então impõem-lhe sanções, para pressionar o cidadão comum com a queda da moeda e da economia».

Mostrou-se, no entanto, confiante quanto à capacidade de resistência do país persa face à mais recente agressão, o pacote de sanções repostas em 6 de Agosto último pelo presidente norte-americano, Donald Trump, depois de, em 8 de Maio, os EUA terem concretizado a saída do Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês).

Este acordo nuclear foi subscrito em 2015 pelo Irão e pelo Grupo 5+1 (os cinco membros com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas – EUA, Reino Unido, França, Rússia e China – e a Alemanha).

«O Irão tem enfrentado sanções desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979. Ele [Trump] está a reforçá-las, mas elas tem estado lá desde 1979 e o Irão persistiu, e há-de celebrar o 40.º aniversário da vitória da sua revolução», sublinhou, citado pela PressTV.

A 12 anos da vitória contra Israel

Estas declarações foram proferidas no contexto do 12.º aniversário da retirada das tropas israelitas do Líbano, no final da guerra dos 33 dias. A este propósito, Nasrallah agradeceu o apoio que a o Irão e a Síria deram à resistência libanesa.

Sobre o actual contexto, disse que o Hezbollah não receia uma eventual guerra com Israel e que ninguém deve «usar a ameaça» ou «tentar assustar» a resistência libanesa com a guerra.

Justificou esta asserção dizendo que o Hezbollah é hoje mais forte do que alguma vez foi, possuindo melhor equipamento militar, mais capacidade e melhores quadros do que quando expulsou Israel do Líbano, em 2006.

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