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Mobilizações a caminho no Reino Unido contra o aumento do custo de vida

A campanha «Enough Is Enough» reuniu centenas de milhares de assinaturas em poucos dias e vai realizar em Londres a primeira manifestação nacional para protestar contra o aumento do custo de vida.

Créditos / mazicnews.com

A iniciativa de base «Enough Is Enough» (Basta), que conta com o apoio de sindicatos, bancos alimentares e deputados de esquerda do Partido Trabalhista, anunciou esta sexta-feira que Londres será palco, no próximo dia 17, da primeira de 50 manifestações previstas, em todo o país, contra a crise do custo de vida.

Isto corre numa altura em que foram avançadas previsões de que as facturas anuais da energia poderão chegar às 5300 libras (mais de 6200 euros).

Pela campanha dão a cara figuras conhecidas como Mick Lynch e Eddie Dempsey, do sindicato dos transportes RMT, Dave Ward, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Comunicação (CWU), e a deputada do Partido Trabalhista Zarah Sultana (eleita por Coventry Sul).

A iniciativa, que exige «aumentos salariais reais, cortes nas facturas da energia, o fim da pobreza alimentar, habitação decente para todos e impostos aos ricos», reuniu mais de 300 mil assinaturas desde que foi lançada, na segunda-feira, segundo se refere na sua conta de Twitter.

Uma pequena elite a lucrar e a levar milhões para a pobreza

«Os trabalhadores vêem como uma pequena elite quer fazer com que as suas vidas sejam trabalhar mais duramente por menos», disse Dave Ward.

«Agora, essa mesma elite está a lucrar com uma crise de custo de vida que levará milhões para a pobreza», acrescentou, citado pelo diário Morning Star.

«As coisas não podem continuar assim – é tempo de dizer basta!», clamou.

O seu apelo foi feito num momento em que a empresa de consultoria Auxilione avançou que o tecto que fixa um limite para o preço da energia em Inglaterra, no País de Gales e na Escócia pode chegar a 5277 libras em Abril de 2023.

Esta previsão, que estima que o preço anual do gás e da electricidade chegará a 3628 libras (4290 euros) em Outubro e 4358 libras (5150 euros) em Janeiro do próximo ano, é a pior alguma vez realizada.

«Don't pay UK»

Paralelamente, foi lançada uma campanha de desobediência civil intitulada «Don't Pay UK» (Não pagues, Reino Unido), que reuniu, até ao momento, mais de 105 mil assinaturas.

Afirma-se como um movimento contra a subida do preço da energia, e, além das redes sociais, os seus promotores instalaram mesas de informação em várias cidades do país, com o propósito de explicar à população os objectivos da campanha.

Exigem a redução do preço das facturas de energia para «um nível comportável» e dizem que irão cancelar os pagamentos por débito directo a partir de 1 de Outubro, caso não sejam ouvidos.

A sua meta é alcançar um milhão de assinaturas de pessoas que se comprometem a não pagar as suas facturas, lembrando que já existiram movimentos de «não pagamento» no país.

Algumas vozes – desde associações de consumidores até ao regulador do preço da energia no Reino Unido – alertaram que, no actual contexto, a medida de «não pagamento» poderá fazer aumentar o nível de endividamento e empobrecimento dos britânicos.

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