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Milhares em Atenas contra brutalidade policial e autoritarismo em tempos de pandemia

Residentes do bairro de Nea Smyrni manifestaram-se, esta terça-feira, contra a política repressiva do governo de direita na abordagem à pandemia. KKE e PAME exigiram o reforço do sistema público de saúde.

Milhares de pessoas mobilizaram-se no bairro ateniense de Nea Smyrni contra a política de repressão do governo de direita de Mitsotakis na abordagem à pandemia e exigiram medidas de protecção para os trabalhadores
Milhares de pessoas mobilizaram-se no bairro ateniense de Nea Smyrni contra a política de repressão do governo de direita de Mitsotakis na abordagem à pandemia e exigiram medidas de protecção para os trabalhadores Créditos / idcommunism.com

Cerca de 6000 trabalhadores e moradores em Nea Smyrni, bairro no Sul de Atenas, voltaram a manifestar-se, ontem, para condenar a brutalidade policial, a repressão e a política autoritária do governo da Nova Democracia como resposta à actual crise sanitária.

A manifestação foi pacífica durante o dia, contando inclusive com a participação de pessoas mais velhas e famílias. À noite, a Polícia carregou sobre os manifestantes, recorrendo a gás lacrimogéneo e a granadas atordoantes. De acordo com algumas agências, registaram-se confrontos violentos também depois de alguns «agitadores» se terem separado da manifestação e terem atacado a Polícia.

A mobilização de ontem, como outras nos últimos dias, segue-se ao espancamento brutal de um homem na praça de Nea Smyrni por um agente, com outros três a assistirem, no domingo à tarde.

Inicialmente, a Polícia, que patrulhava as ruas no contexto das medidas impostas de confinamento, alegou que foi atacada, mas os vários registos viodeográficos da ocorrência, amplamente divulgados nas redes sociais, desmentem a versão da Polícia.

Milhares denunciaram, em Atenas, a política de criminalização do povo como resposta à crise sanitária / idcommunism.com

Além de se ver o homem a ser severamente espancado até cair no chão, pode-se ouvi-lo a dizer «dói», enquanto transeuntes fazem ouvir a sua indignação.

As autoridades gregas abriram uma investigação preliminar sobre o incidente para «analisar possíveis actos criminais perpetrados por agentes da Polícia», refere o portal euronews.com. Até ao momento, nenhum polícia foi suspenso e os partidos da oposição exigiram a demissão do ministro da Protecção Cidadã, Michalis Chrysochoidis.

Tanto partidos da oposição como grupos de defesa dos direitos humanos têm denunciado o aumento da brutalidade policial na Grécia, com o pretexto de fazer cumprir as medidas para combater a propagação da Covid-19..

KKE e PAME condenam política musculada de Mitsotakis e exigem medidas para proteger os trabalhadores

Em comunicado, o Partido Comunista da Grécia (KKE) assinala que, apesar dos esforços do governo grego de direita para se referir à repressão como «incidentes isolados», a brutalidade policial faz efectivamente parte da política governamental e anda de mãos dadas com a implementação de medidas contra os trabalhadores e o povo.

Neste sentido, os comunistas sublinham que, «face à pandemia, o governo não vê necessidade de reforçar o sistema público de saúde, de fornecer testes grátis e aumentar as medidas de protecção nos locais de trabalho e nos transportes, mas destaca mais forças policiais para intimidar as pessoas».

«A repressão, os incidentes diários de violência policial, as patrulhas policiais de estilo militar nos bairros e nas praças são uma política governamental consciente e o resultado de todo o esforço para incriminar o povo pelo curso da pandemia», lê-se no texto, citado pelo portal idcommunism.com.

Por seu lado, a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) acusou o executivo de Kyriakos Mitsotakis de não estar a tomar medidas para proteger a saúde do povo, nomeadamente nos locais de trabalho, e de haver carências num sistema público de saúde em ruptura, enquanto o governo negoceia o financiamento do sistema com empresas privadas da área da Saúde.

Para a central sindical, a «única medida imposta é a escalada de repressão que tem como alvo os trabalhadores e a juventude», algo que, denuncia, «não tem nada a ver com a protecção da saúde pública».

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