A primeira fase do sistema de metro ligeiro de Astana foi inaugurada a 16 de Maio último, com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, a agradecer ao governo e aos construtores chineses em chinês, citando o provérbio atribuído ao filósofo Lao Tsé: «Uma viagem de mil quilómetros começa com um único passo.»
«Senti muito orgulho», disse Ji Chenglong, responsável executivo do projecto na empresa de engenharia China Construction Sixth Engineering Bureau, que chegou a Astana com a sua equipa em Julho de 2023.
Trabalhando no Inverno com temperaturas que desciam aos -40° C, a equipa adaptou os materiais e métodos de construção às condições locais, levando por diante um projecto que aplicou as normas e tecnologias chinesas em todas as suas fases, desde o projecto até à operação, que inclui comboios totalmente automatizados e um sistema de regulação inteligente, refere o China Daily.
Melhorar a vida das pessoas, promover o desenvolvimento
Em declarações ao periódico, Ji afirmou que a média diária de passageiros ultrapassou os 70 mil, muito acima da projecção inicial de 25 mil, tendo acrescentado que, na fase de construção, o projecto criou mais de 2000 empregos, com a equipa responsável a realizar intercâmbios técnicos contínuos e a oferecer formação prática adaptada às necessidades.
«Ver cada vez mais habitantes a desfrutar da comodidade proporcionada pelo metro de superfície fez-me perceber melhor que as infra-estruturas não se resumem a aço e betão. É um meio importante para melhorar a vida das pessoas e promover o desenvolvimento», disse, acrescentando que este é o verdadeiro significado da cooperação da Iniciativa Cinturão e Rota.
Ji disse que ainda se recorda de o presidente Xi Jinping afirmar que o propósito final da Iniciativa Cinturão e Rota é «explorar novas formas de os países próximos e distantes alcançarem o desenvolvimento comum e abrir um “caminho da felicidade” que beneficie o mundo inteiro». O metro de superfície de Astana é um exemplo vívido deste caminho a concretizar-se na Ásia Central, sublinhou.
«De uma linha de metro ligeiro a uma cidade moderna, e da cooperação em engenharia a laços mais estreitos entre os povos, a cooperação da Iniciativa Cinturão e Rota não é apenas um caminho de conectividade, mas também uma via de desenvolvimento comum, amizade e cooperação, e maior bem-estar para as pessoas», declarou Ji.
China, um parceiro estratégico do Cazaquistão
Askar Umarov, director do Serviço Central de Comunicações da Presidência do Cazaquistão, acredita que o seu país e a China estão num momento crucial de desenvolvimento e revitalização, e que são parceiros no caminho para a modernização.
As conquistas da China no desenvolvimento económico, na transformação digital, na modernização tecnológica e na implementação de estratégias nacionais a longo prazo constituem lições práticas para o Cazaquistão, disse Umarov ao China Daily, frisando que a China é um importante parceiro estratégico e que compreender o raciocínio subjacente às políticas chinesas tem uma importância que transcende a investigação académica.
A infra-estrutura não é um fim em si mesmo
Por seu lado, Manarbek Kabaziyev, vice-presidente do conselho do Instituto de Investigação de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, declarou que a próxima década de cooperação no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota deve ser avaliada não pela quantidade de projectos, mas pela capacidade de gerar valor duradouro, estimular a inovação e reforçar a confiança entre os países.
A infra-estrutura não é um fim em si mesma, disse, mas a base para uma cooperação de nível superior. O Cazaquistão deve investir na melhoria da conectividade para desenvolver uma economia moderna e virada para o futuro, com corredores de transporte que apoiem não só o comércio, mas também laços industriais, de investimento e tecnológicos mais estreitos.
Cooperação bilateral a expandir-se
Já Aliya Mussabekova, directora do Departamento de Segurança Internacional do Instituto de Estudos Estratégicos do Cazaquistão, ligado à presidência do país, afirmou que a cooperação económica bilateral se alargou para lá do comércio tradicional, com o seu foco a expandir-se das infra-estruturas e do desenvolvimento dos recursos naturais para as indústrias da manufactura e da alta tecnologia.
De acordo com dados chineses, o comércio entre a China e o Cazaquistão atingiu um recorde de 48,7 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Informações da empresa nacional de promoção de investimento do Cazaquistão mostram que o investimento chinês acumulado ultrapassou os 30 mil milhões de dólares, com mais de 8000 empresas apoiadas pela China a operar no país.
Musabekova disse ainda que as prioridades de desenvolvimento dos dois países também convergem na digitalização e na inteligência artificial (IA). O Cazaquistão designou 2026 como o Ano da Digitalização e da Inteligência Artificial, enquanto a China fez do desenvolvimento digital, da inovação tecnológica e da IA prioridades nacionais, abrindo novas oportunidades na economia digital, nas tecnologias de satélite e de detecção remota, e nas comunicações espaciais.
No entanto, uma parceria estratégica duradoura e estável não pode ser construída apenas com base em indicadores económicos, observou Musabekova, frisando que «a solidez a longo prazo depende antes de mais da confiança mútua entre os dois povos».
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