|cooperação

Relações entre América Latina e China são uma «âncora» em que se pode confiar

Uma académica e sinóloga colombiana defendeu que, apesar da situação a nível mundial, os países latino-americanos têm uma relação equilibrada com a China, marcada pelo multilateralismo a nível comercial.

A académica sinóloga Lina Luna (imagem de arquivo) CréditosAndrés Moreno / Xinhua

As declarações foram proferidas por Lina Luna à Xinhua à margem do fórum de alto nível Celac-África, no âmbito da X Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que decorreu este sábado em Bogotá.

«A América Latina valoriza muito a sua relação com a China porque se traduz numa situação vantajosa para ambos os lados», observou a académica, acrescentando que se trata de uma relação «que se traduz em desenvolvimento e resultados positivos para a região».

«Portanto, vemos que existem tensões geopolíticas, mas também há confiança de que esta relação perdure ao longo do tempo», disse.

A título de exemplo, Luna referiu-se à situação da Colômbia, país que aderiu o ano passado à Iniciativa Cinturão e Rota da China.

De acordo com a entrevistada, o país sul-americano tem percebido as vantagens de realizar importantes projectos de infra-estruturas com a China, como o Metro de Bogotá, na capital colombiana, que reflectem um «novo começo» na relação entre os dois países.

«Desde a construção do Metro e da entrada na Iniciativa Cinturão e Rota, a Colômbia compreende que a China é um parceiro crucial para o desenvolvimento do país a muitos níveis», declarou Luna, que prevê um «aprofundamento» destas relações.

China desempenha um «papel preponderante» na América Latina

A entrevistada destacou ainda o carácter «pragmático» da relação com o país asiático para a América Latina.

«Situa-se para lá das posições ideológicas que os diferentes governos da região possam ter», explicou a especialista, o que, na sua opinião, pode ser interpretado como «mais uma potencial oportunidade de integração assente em interesses de desenvolvimento partilhados».

De acordo com a académica, aspectos específicos como a transferência de tecnologia, o desenvolvimento de infra-estruturas e a transição energética com projectos de energia limpa, como a eólica, são de vital importância para a América Latina, região na qual a China desempenha um papel preponderante.

Neste sentido, destacou a importância de «parceiros que não estejam ideologicamente polarizados, que não queiram promover uma visão política ou outra, mas sim uma visão especificamente centrada no desenvolvimento da região», que é «o que a China nos oferece».

Possibilidade de a região alargar as suas perspectivas de desenvolvimento

Assim, defendeu que é essencial reforçar estas relações, por ser «a partir daí que surgem projectos que ajudarão a integração latino-americana a muitos níveis».

É graças à construção desta confiança que a América Latina pode alargar as suas perspetivas de desenvolvimento numa altura em que a «fragmentação» e a «incerteza» são muito elevadas, defendeu.

«Saber que temos um parceiro que, embora geograficamente distante, está próximo dos nossos sonhos de desenvolvimento e da nossa visão de nos tornarmos um continente mais forte», explicou, defendendo que «a China se está a revelar um pilar de estabilidade para o mundo, mas especialmente para a América Latina».

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui