Os protestos deste domingo, que tiveram lugar em cidades como Marselha, Toulouse, Paris ou Lyon, foram convocados por organizações de defesa dos direitos humanos, partidos de esquerda e Sindicato dos Magistrados.
«As nossas vidas merecem ser vividas, não ceifadas», «Não à licença para matar», «Mais poder = mais abusos», lia-se nalguns dos cartazes que os manifestantes exibiram em Paris, onde se mobilizaram 21 mil pessoas, de acordo com a prefeitura.
«Temos de travar esta lei»
«A polícia já mata [...], temos de travar esta lei», que «não deve ser incluída na agenda do Senado», declarou a líder da bancada do partido França Insubmissa (LFI) na Assembleia Nacional, Mathilde Panot.
«Na República, não pode haver um sistema de impunidade policial [...]. Na República, não pode haver uma categoria de cidadãos com poder de vida ou de morte sobre outros cidadãos», afirmou na manifestação em Paris, citada pelo portal bfmtv.com.
Outros representantes do LFI, como o líder Jean-Luc Mélenchon, o deputado Eric Coquerel ou o presidente da Câmara de Saint-Denis, Bally Bagayoko, juntaram-se à multidão na capital, entre a Praça da República e a Praça da Nação.
O projecto de lei, aprovado pelos deputados a 7 de Julho último, estabelece a presunção de que polícias e gendarmes agiram em conformidade com a lei «ao utilizarem as suas armas». Esta presunção é passível de «ser refutada por qualquer prova em contrário».
Receio de que a lei «agrave a situação»
Os críticos do projecto legislativo denunciam que existe o risco de «licença para matar», argumentando que as investigações sobre a legitimidade dos disparos policiais serão prejudicadas ou mesmo impedidas.
«Tememos que a violência policial aumente ainda mais com esta lei», disse Cédric Picard, de 48 anos, da Amnistia Internacional, ao participar na manifestação em Marselha.
«Num país onde os abusos policiais são dos mais frequentes, esta lei corre o risco de agravar a situação», acrescentou Hugo, estudante do ensino secundário, também em Marselha. Já em Grenoble Alice defendeu que o texto «permite aos polícias justificar qualquer acto de violência».
Por seu lado, Amal Bentousi, irmã de Amine, um assaltante morto pela polícia com um tiro nas costas em 2012, declarou em Paris que esta «licença para executar [...] quer inverter o ónus da prova».
Mais de 150 organizações opõem-se a este projecto
Também em Paris, Samia El Khalfaoui, co-fundadora da associação Stop aux violences d'État, elencou os nomes de vários jovens – «a maioria oriunda de bairros populares» – que morreram atingidos por disparos das forças de segurança.
Segundo refere a fonte, mais de 150 organizações, incluindo colectivos locais e partidos políticos como o Partido Socialista, Ecologistas e LFI, assinaram a petição da organização Stop aux violences d’État contra o projecto de lei.
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