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|Obituário

Morreu José Viale Moutinho, escritor dos sete ofícios literários

Romancista, contista, poeta, investigador, jornalista, divulgador da literatura galega e compilador das tradições populares portuguesas. José Viale Moutinho morreu esta terça-feira, aos 81 anos.

Créditos / Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto

Autor de poesia. Contista. Romancista. Escreveu livros para crianças, produziu investigação sobre a expressão literária popular, sobre a Guerra Civil de Espanha e a deportação espanhola nos campos de concentração nazis e de figuras como Camilo Castelo Branco. Compilou as Lendas de Portugal. Traduziu literatura espanhola e galega. Foi jornalista durante 40 anos. No fim, e como se descreveu no «arremedo autobiográfico», «só me resta ser o escritor e o bonhomme que me parece sempre fui».

José Viale Moutinho nasceu a 12 de Junho de 1945, numa «ilha perdida no Atlântico», a Madeira, logo «quando os canhões começavam a calar-se pela segunda vez em todo o mundo», mas é no Porto que lança as suas raízes, não fosse «filho de um homem do Douro, extraordinário efabulador». Cedo começa a publicar, um «poemário» de nome O Corredor, cuja tiragem de 500 exemplares nunca veio a público, não se tivesse o próprio autor encarregado de queimar toda a edição. Dois anos depois do falso arranque, publica o conto Natureza Morta Iluminada (1968), dando início a uma pródiga produção literária.

O seu trabalho foi distinguido com vários prémios, entre os quais o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/APE, o Prémio Edmundo de Bettencourt de Conto e de Poesia, Prémios de Reportagem Kopke, Norberto Lopes/Casa da Imprensa de Lisboa e El Adelanto (de Salamanca). Mais recentemente, é vencedor do Prémio D.Diniz, em 2021, atribuído pela Fundação da Casa de Mateus por Cimentos da Noite, antologia poética dos seus quase 50 anos de vida literária, e o Grande Prémio de Literatura dst 2024 por Desaparecimento Progressivo, exemplo de «depuração poética, não idêntica a qualquer cânone».

Foi director da Associação Portuguesa de Escritores (APE), da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, do Círculo de Cultura Teatral e presidente da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, sendo ainda sócio do Pen Clube Português, da Academia de Letras de Campos de Jordão (do Brasil) e membro honorário da Real Academia Galega.

Militante do PCP, foi várias vezes candidato à Assembleia Legislativa da Madeira e à Assembleia da República (círculo da Madeira) pela CDU (PCP/PEV) e mandatário de candidaturas da CDU/Madeira ao Parlamento Europeu. Em comunicado, a CDU/Madeira lembra «o homem corajoso, implacável, por vezes, paradoxalmente afável, poético, militante, impiedoso», a «pessoa solidária e fraterna».

José Viale Moutinho morreu esta terça-feira, 22 de Setembro de 2026, de doença súbita.

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