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Marchas pela paz nas ruas da Alemanha

Milhares de manifestantes desfilam este fim-de-semana nas principais cidades alemãs em defesa da paz e contra a corrida armamentista, numa tradição que remonta aos anos 50 e ao período da Guerra Fria.

Manifestantes participam na Marcha da Páscoa realizada em Berlim, Alemanha, em 4 de Abril de 2015. Nos panos pode ler-se «Abaixo as armas» (acima) e «Marcha da Páscoa de Berlim» (abaixo). Foto de arquivo.
Manifestantes participam na Marcha da Páscoa realizada em Berlim, Alemanha, em 4 de Abril de 2015. Nos panos pode ler-se «Abaixo as armas» (acima) e «Marcha da Páscoa de Berlim» (abaixo). Foto de arquivo. CréditosEPA/Maurizio Gambarini / LUSA

Começaram ontem, dia 19, Sexta-feira Santa, e prolongam-se até segunda-feira, dia 22 de Abril, em 50 das mais importantes cidades alemãs. São as Marchas da Páscoa promovidas pelo movimento Cooperativa da Paz/Rede do Movimento Alemão pela Paz (Friedenskooperative/Netzwerk Friedenskooperative), uma tradição que, segundo a agência noticiosa oficial Deutsche Welle (DW), remonta aos anos 50 do século XX e ao período da Guerra Fria.

«As marchas mantêm-se populares» na Alemanha «décadas depois do seu auge, durante a Guerra Fria», confirma hoje a a agência noticiosa alemã, acrescentando que as «tradicionais “marchas da Páscoa”» arrancaram na sexta-feira «por todo o país».

As palavras de ordem são decididas pelos colectivos pela paz em cada cidade. Este ano, face ao abandono, pela administração norte-americana, dos tratados de limitação de armas nucleares, e à sua vontade, publicamente expressa, de incrementar o desenvolvimento de novas armas, as palavras de ordem mais escolhidas são «desarmamento sim, armamento não» e «proibição das armas nucleares», como reporta a DW, mas o sentir dos colectivos não se fica por aí. Na página da Cooperativa pela Paz sobre as iniciativas em 2019 podem encontrar-se palavras de ordem como «Por uma Europa solidária, pacífica e livre de armas nucleares!» (em Bona), «Não ao exército europeu» (Würzburg), «Pela paz e pela justiça social! (Traunstein), «Guerra jamais, fascismo jamais» (Wuppertal) ou «Paz em vez de NATO» (Potsdam), entre outras.

Manifestantes participam com um pano onde afirmam «Não à NATO» na Marcha da Páscoa pela paz e pelo desarmamento realizada em Frankfurt, Alemanha, a 28 de Março de 2018. CréditosEPA/Boris Roessler / LUSA

Marchas da Páscoa têm quase cinquenta anos

Philipp Ingenleuf, da Cooperativa da Paz, declarou à DW que «nos próximos anos, os gastos com armamento atingirão mais de 70 mil milhões de euros por ano – 78,7 mil milhões, segundo o activista – quando esse dinheiro é tão urgentemente necessário» em tantos outros locais e deveria «ser investido», segundo refere, «na educação, na construção de habitações, ou na protecção climática».

A organização pacifista afirma que, em 2019, «mais de 100 eventos» estão planeados em 50 localidades da Alemanha – um significativo acrescento aos «80 eventos» realizados em 2018 – e em duas cidades limítrofes de língua alemã, Berna, na Suíça, e Luxemburgo, no país com o mesmo nome.

As primeiras iniciativas decorreram nos centros urbanos mas houve excepções: em Gronau, na Renânia do Norte/Westfália, a manifestação deu-se junto à fábrica de enriquecimento de urânio naquela localidade, no Schleswig-Holstein realizou-se nas cercanias da base aérea militar de Jagel, e em Dortmund ocorreu junto ao Bittermark memorial – que homenageia os 230 resistentes, prisioneiros de guerra e trabalhadores forçados assassinados pelos nazis na Páscoa de 1945.

As marchas prosseguem durante o fim-de-semana da Páscoa em cidades como Berlim, Munique, Estugarda e Leipzig, e terminam na segunda-feira, dia 22, com os desfiles em Frankfurt (sobre o Meno) e em Hamburgo, cidade que viu nascer o movimento, no ano de 1960. A iniciativa atingiu o seu auge entre 1968 e 1983, com centenas de milhares de pessoas a marcharem anualmente, nas cidades da antiga República Federal Alemã, contra o envolvimento dos EUA na guerra do Vietname e contra a corrida às armas nucleares, refere a DW.

O movimento da paz mantém a sua vitalidade na moderna e reunificada Alemanha e tudo indica que assim se manterá no próximo ano, quando se assinalarão 60 anos do início das Marchas da Páscoa pela paz.

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