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Máquinas chinesas podem reduzir «jornada tripla» das agricultoras no Nordeste

Os equipamentos estão em fase de teste no estado brasileiro do Rio do Grande do Norte e a expectativa é de que possam melhorar a qualidade de vida no campo, sobretudo a das mulheres.

A expectativa é de que, com a mecanização possibilitada pelas máquinas chinesas, a produção aumente em pelo menos 25% 
A expectativa é de que, com a mecanização possibilitada pelas máquinas chinesas, a produção aumente em pelo menos 25% CréditosNacho Lemus / MST

O início da operação das máquinas chinesas na região Nordeste do Brasil pode ter um impacto positivo no trabalho das agricultoras. A apreciação é das próprias trabalhadoras, que esperam que, com a chegada da maquinaria, possa diminuir o tempo de trabalho e aumentar o rendimento da produção.

«Infelizmente, as mulheres têm jornada tripla, né? Elas trabalham na roça, elas trabalham em casa e muitas vezes ainda têm que ir para a feira. Muitas vezes ainda estudam. E isso [as máquinas chinesas] vai otimizar o nosso tempo na roça porque a gente também precisa ir para a feira, a gente também precisa vir para os encontros do movimento para mostrar a nossa produção e ainda precisamos de outra coisa que é a logística de mercado», disse Antônia Diana da Silva, agricultora e moradora no Assentamento São Romão, na cidade de Mossoró (Rio Grande do Norte).

«É um sonho também do agricultor e da agricultora familiar essa mecanização do campo. Enquanto eu limpo uma carreira com a enxada, eu vou limpar quatro com a máquina», afirma a trabalhadora, referindo-se ao grande salto que os equipamentos podem proporcionar ao cultivo familiar e para a agroecologia.

Diversas personalidades e entidades estiveram presentes no acto de celebração da parceria Brasil-China, em Apodi // Morgana Souza / MST

«Dá pra usar a máquina pra tudo. Dá sim pra usar essas máquinas na produção agroecológica, trazendo alimento de qualidade e sem agrotóxico para mesa do trabalhador e para mesa da população brasileira», acrescenta.

Início da operação

Na sexta-feira passada, iniciou-se a operação em solo brasileiro dos equipamentos fabricados por empresas chinesas, durante uma demonstração na cidade de Apodi (Rio Grande do Norte). O acto contou com a presença do ministro brasileiro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (ambos do PT), além de dirigentes sindicais e de movimentos populares, indica o Brasil de Fato.

Esta iniciativa faz parte de uma parceria entre o Brasil e a China, alinhavada pelos movimentos populares e o Consórcio Nordeste. O acordo teve início em 2022, quando o Consórcio assinou um memorando de entendimento com o Instituto Internacional de Inovação de Equipamentos Agrícolas e Agricultura Inteligente da Universidade Agrícola da China, e a Associação de Fabricantes de Máquinas Agrícolas do país asiático. Também foi subscrito pela Associação Internacional para a Cooperação Popular (conhecida como Baobá).

«Os companheiros da China têm um compromisso connosco: a partir das máquinas que nós acharmos que são importantes, eles ajudarão a implantar fábricas de máquinas para a agricultura familiar aqui no Nordeste», apontou João Pedro Stédile, da direcção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Mulheres agricultoras testam máquinas chinesas no Rio Grande do Norte (Brasil) // Afonso Bezerra / Brasil de Fato

«Não tem política bem-sucedida sem participação dos movimentos sociais. O MST é quem sugeriu e ajudou a viabilizar essa parceria», explicou o ministro Paulo Teixeira, durante uma conferência de imprensa em Apodi.

Por seu lado, a professora Yang Minli, da Universidade Agrícola da China e uma das principais intervenientes neste intercâmbio, citou as semelhanças entre as realidades do Brasil e da China, e enalteceu a parceria entre os dois países.

«Tanto a China como o Brasil são grandes países agrícolas. Nos últimos anos, a nossa parceria em agronegócio vem crescendo e cada um se beneficia com essa transacção comercial. Porém, devemos lembrar que a China, apesar de ser um grande país, tem uma agricultura pequena, tal como aqui. A nossa agricultura fica a cargo de pequenas famílias, como aqui no Nordeste», disse, citada pelo Brasil de Fato.

Agora, a ideia é testar a eficiência destas máquinas que vêm da China em solo brasileiro. «Vamos analisar a quantidade de combustível que se consome, o desgaste das peças, a manutenção, ver o seu desempenho dentro do campo, seja na colheita do arroz, seja na questão do manejo da terra. A ideia desse campo de testagem é ver sua eficiência no campo para daí fazermos as sugestões possíveis de adaptação», explicou Maria da Saúde, do sector de produção do MST, em Pernambuco.

Desenvolvimento do Nordeste

A expectativa, segundo João Pedro Stédile, é avançar na construção de unidades fabris nos estados nordestinos. Durante o discurso no acto político em Apodi, na sexta-feira, Stédile criticou o mercado concentrado de máquinas no Brasil e explicou como esse cenário é um grande obstáculo para a agricultura familiar camponesa.

«Aqui no Brasil tem oito fábricas de tractor. Na China tem oito mil. Aqui no Brasil não tem nenhuma fábrica de fertilizante orgânico. Na China tem mil e duzentas fábricas de fertilizantes orgânicos e faz o adubo com matéria orgânica, com o que sobra das famílias, dos restaurantes», disse.

«Sem fábrica no Nordeste, nós não teremos mecanização. Nós queremos que essas fábricas venham para cá para o Nordeste, venham para o Rio Grande do Norte, para que nós possamos ampliar a oferta de mecanização com preço justo», explicou Alexandre Lima, Secretário de Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte.

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