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Maioria dos franceses rejeita aumento da idade da reforma

Três em cada quatro franceses não concordam com o aumento da idade da reforma, que é um dos pontos em destaque no projecto de reforma das pensões promovido pelo governo, revela um inquérito.

Centenas de nilhares de trabalhadores manifestaram-se contra a reforma das pensões do governo de Macron
Centenas de milhares de pessoas manifestam-se contra a reforma das pensões de Macron em Dezembro de 2019 Créditos / France24

De acordo com um inquérito realizado pelo instituto Elabe para o canal BFM TV, apenas 27% dos inquiridos apoiam a tese governamental de que, em França, é preciso trabalhar mais anos.

Destes, 18% apoiam o aumento da idade legal da reforma dos actuais 62 anos para os 64, enquanto 9% apoiam o prolongamento até aos 65 – que era a ideia inicial do projecto.

Os detalhes da reforma das pensões devem ser apresentados pelo governo francês no próximo dia 10 – prevendo-se que o projecto seja apresentado em Conselho de Ministros no dia 23, para começar a ser debatido na Assembleia Nacional no início de Fevereiro.

No entanto, as grandes linhas que orientam a iniciativa governamental são já conhecidas: aumento da idade legal da reforma dos actuais 62 anos para os 65 anos (até 2031).

Em declarações à France Info, na terça-feira, a primeira-ministra, Elisabeth Borne, disse que «os 65 não são um totem» e que há outras vias a ser estudadas, nomeadamente a passagem dos 62 para os 64 anos, mas estando isto sujeito a um aumento progressivo do período de contribuição.

Neste caso, para receber a reforma por inteiro, seria necessário ter trabalhado 43 anos.

Ampla rejeição

A pesquisa ontem divulgada indica que 47% dos inquiridos defendem que a idade de reforma se deve manter nos 62 anos e que 25% consideram que os trabalhadores se devem reformar mais cedo.

Na mensagem de fim de ano, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a reforma das pensões será concretizada em 2023 e defendeu-a como uma necessidade para trazer equilíbrio ao sistema.

Recorde-se que Macron já tentou avançar com uma versão da reforma das pensões no seu primeiro mandato (2017-2022), mas viu-se forçado a adiá-la devido ao surgimento da pandemia de Covid-19 e à forte contestação nas ruas e nos locais de trabalho, com grandes manifestações e greves em Dezembro de 2019 e nos dois primeiros meses do ano seguinte.

Partidos de esquerda e sindicatos – até os que não se costumam dar mal no Eliseu – estão contra o aumento da idade da reforma e já anunciaram mobilizações.

No seu portal, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) apresenta um dossiê sobre o tema, no qual afirma que já está mobilizada e sublinha que a versão de 2023 é ainda «mais dura do que a que foi abortada em 2020».

A central sindical de classe, que defende a visão anti-liberal de que os reformados têm direito a gozar uma nova etapa da vida, alerta que, caso seja aprovada, a reforma será mais rapidamente desfavorável aos trabalhadores e irá acelerar a diminuição das pensões.

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