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Reformados exigem aumento das pensões e protestam contra política de Macron

Milhares de reformados manifestaram-se esta quinta-feira em França para reclamar o aumento das pensões e maior poder de compra, denunciando as ofertas de Macron ao patronato e aos muito ricos.

Os reformados franceses exigem a valorização das suas pensões de reforma, ao invés do que tem estado a ocorrer
Os reformados franceses exigem a valorização das suas pensões de reforma, ao invés do que tem estado a ocorrer Créditos / CGT

A jornada nacional de mobilização, convocada por nove sindicatos e associações, teve expressão em múltiplos pontos do território francês, onde os manifestantes – reformados e trabalhadores preocupados com o actual rumo do país – protagonizaram acções de denúncia da política de benesses de Emmanuel Macron «ao patronato e aos mais ricos».

De forma simbólica, fizeram questão de expor os «presentes» do presidente francês ao grande capital, como ocorreu em Marselha, frente à Câmara de Comércio de Marselha Provença, ou em Limoges, junto à Prefeitura do Departamento do Alto Vienne. Em Paris, os manifestantes concentraram-se na Praça de Itália e seguiram em direcção ao Ministério das Finanças.

Comum a todas as mobilizações foi a exigência do «aumento generalizado das pensões» e do poder de compra, bem como da anulação da subida, para os reformados, de um imposto conhecido como Contribuição Social Generalizada (CSG).

«As despesas não param de aumentar, enquanto as pensões de reforma baixam, pelo que o nosso poder de compra diminui ano após ano», disse Jean-Marie Casdan, antigo funcionário municipal em Marselha, ao portal lamarseillaise.fr.

Os reformados afirmam que o valor das suas pensões é hoje inferior àquele que auferiam quando se reformaram. Para os manifestantes, tal fica-se a dever ao facto de, nos últimos anos, as pensões terem crescido «apenas 0,9%», quando, no mesmo período, a «inflação foi amplamente superior», revela o mesmo portal.

Também contribuiu para a sua desvalorização a decisão do governo de aumentar a participação dos reformados na CSG – uma medida que foi alvo de grande contestação.

No final do ano passado, em resposta às exigências do movimento dos Coletes Amarelos, o executivo francês anunciou a suspensão do aumento do imposto da CSG para os reformados com pensões mais reduzidas. Ainda assim, os reformados defendem que a medida é insuficiente, uma vez que as pensões aumentaram 0,3% no dia 1 de Janeiro, face a uma inflação de 1,8%.

«Urgência social cada vez mais insuportável»

Num comunicado em que apela à mobilização geral, a Central Geral do Trabalho (CGT) denuncia que a questão do poder de compra dos reformados «está ausente do debate nacional» e sublinha a necessidade de dar resposta àquilo que se torna «uma urgência social cada vez mais insuportável».

Ao «presidente dos ricos», a CGT declara que os reformados «não trabalharam 40 anos para renunciar a viver dignamente».

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