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Lançado documentário sobre ocupação premiada dos sem-terra na Mata Atlântica

O filme, lançado em Curitiba, centra-se na actividade do acampamento José Lutzenberger, distinguida com o prémio Juliana Santilli por conciliar produção de alimentos e recuperação da Mata Atlântica.

O acampamento ganhou o prémio Juliana Santilli pela recuperação da Mata Atlântica
O acampamento ganhou o prémio Juliana Santilli pela recuperação da Mata AtlânticaCréditosJúlia Rhoden / MST

O acampamento José Lutzenberger, no município de Antonina, ocupa uma parte da Área de Protecção Ambiental de Guaraqueçaba, no litoral norte do estado brasileiro do Paraná e, desde 2003, concilia a produção de alimentos livres de agrotóxicos com a recuperação da Mata Atlântica.

Este trabalho teve o reconhecimento do Instituto Socioambiental, que atribuiu à comunidade o prémio Juliana Santilli, na categoria de conservação e ampliação da agrobiodiversidade. Outro reconhecimento foi a realização do documentário Agrofloresta é mais, que aborda uma história já com mais de 15 anos e que foi lançado oficialmente, em Curitiba, esta quinta-feira.

Em cerca de 30 minutos, a obra mostra como 24 famílias que integram o acampamento transformam uma área degradada pela produção extensiva de búfalos numa experiência – premiada – pela recuperação do meio ambiente, por via da produção agroflorestal.

O filme foi produzido em parceria pela Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal do Paraná, a Associação Paranaense das Vítimas Expostas ao Amianto e Agrotóxicos, e o Ministério Público do Trabalho do Paraná, em cuja sede decorreu o lançamento oficial.

Lançamento e divulgação

A sessão contou com a presença do professor da UFRJ e realizador da obra, Beto Novaes, que, em declarações ao Brasil de Fato, destacou a necessidade de utilizar o documentário como instrumento de divulgação do projecto agroflorestal bem-sucedido, também a nível internacional. Para ultrapassar as fronteiras brasileiras, foi traduzido para castelhano, inglês e francês, e está a ser distribuído para várias organizações nacionais e internacionais.

Entre o público, havia agricultores que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Jonas Souza, coordenador do acampamento José Lutzenberger e membro do MST, afirmou que, desde a ocupação, a área tem sido cultivada para a recuperação da mata nativa e a produção de alimentos para consumo e comercialização.

«Hoje, nós estamos num processo que já dá autonomia para os camponeses produzirem para se alimentar de forma saudável e ainda fornecerem este alimentos para a sociedade», disse ao Brasil de Fato.

Actualmente, as famílias do acampamento José Lutzenberger vivem sob ameaça de despejo, e o documentário integra-se na campanha «Agrofloresta é a nossa casa», organizada por dezenas de entidades contrárias à retirada das famílias da região.

Para esta sexta-feira, estava prevista a exibição do filme no Centro de Formação e Cultura Marielle Vive, na Vigília Lula Livre, também em Curitiba.

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