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Indígenas em assembleia permanente para reforçar greve na Colômbia

O Conselho Regional Indígena de Huila continua em minga permanente, tendo como objectivo reforçar o movimento de greve e protesto iniciado a 28 de Abril contra as políticas neoliberais de Iván Duque.

A minga indígena diz «não » ao governo de Iván Duque (imagem de arquivo) 
A minga indígena diz «não » ao governo de Iván Duque (imagem de arquivo) Créditos / radionacional.co

No actual contexto, cabe aos povos indígenas do departamento de Huila mobilizar-se e, como gesto de irmandade e solidariedade para com o povo colombiano, exigem o governo que não cobre portagens enquanto se realizar a minga (assembleia), sublinhou o Conselho Regional Indígena de Huila (CRIHU).

Se isso não acontecer, a minga levaria a cabo a tomada das portagens na chamada Ruta 45 (estrada nacional, que atravessa o país de norte a sul), advertiu, num comunicado divulgado pela Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC).

Além disso, informa a Revista Hekatombe, o povo Misak anunciou durante uma iniciativa em Bogotá, este domingo, que irá continuar a resistir contra a política de um governo que invisibiliza militarmente todas as formas de luta existentes nas regiões.

Tata Pedro Velasco, governador do território ancestral de Guambía e porta-voz do Movimento das Autoridades Indígenas do Sudoeste, denunciou que «há mais de 60 assassinados no contexto da greve, mais de 600 desparecidos, e não temos o número dos que foram feridos no país».

«Estamos contra o decreto de 28 de Maio, anunciado por Duque, com o qual pretende militarizar o país, especialmente oito departamentos do Sudoeste, onde se encontram os pontos de resistência», disse o líder indígena à Hekatombe.

Afirmou que «a vida é mais importante que a guerra numa democracia que está ferida, que tem o espírito paramilitar, o espírito do narcotráfico e militar».

«Dizemos "não" a este governo. Resistimos a este poder corrosivo, resistimos às judicializações, resistimos às balas, resistimos à militarização das nossas terras, dos nossos corpos e das nossas vozes», frisou.

Ampla militarização e repressão a fundo

Na passada sexta-feira, quando se assinalava um mês desde o início dos protestos contra as políticas do governo de Duque, o presidente colombiano alargou o regime de «assistência militar», que já vigorava em Cáli, terceira maior cidade do país, a 13 cidades e oito departamentos colombianos.

Na noite de sexta-feira e madrugada de sábado, registaram-se alguns dos episódios mais violentos e repressivos desde o começo dos protestos. Só em Cáli, capital do departamento de Valle del Cauca, foram mortas 13 pessoas, segundo dados divulgados pelo presidente da Câmara. Como ocorreu noutras ocasiões, foram vistos «civis» ao lado da Polícia a disparar sobre os manifestantes.

Ontem à noite, agentes do Esquadrão Móvel Anti-Distúrbios (Esmad) e da Polícia Nacional voltaram a atacar manifestantes em Bogotá, onde se registaram pelo menos 11 feridos, segundo a TeleSur, que também dá conta de disparos e acções de repressão em Cáli e Popayán.

Governo desfaz pré-acordo de negociação

Confrontado com a recusa do governo em assinar o pré-acordo alcançado a 24 de Maio, com vista garantir o direito ao protesto, o Comité da Greve apresentou uma nova proposta, em que a questão central é desmilitarização das mobilizações e o respeito pelos direitos humanos.

Ontem, o Comité denunciou que o governo de Duque continua sem negociar com sectores sociais que reúnem uma parte das reivindicações plasmadas nas ruas.

Sublinhou igualmente que, passados seis dias sobre o pré-acordo alcançado ao cabo de nove dias, o governo não só não o assinou como enviou ao Comité um conjunto de observações e ajustamentos ao texto, informa a Prensa Latina.

«Não se trata de pequenas modificações na redacção, como tinham anunciado, trata-se de desfazer o pré-acordo alcançado e, com isso, fechar qualquer possibilidade de negociação», afirmou o Comité.

Não obstante, a greve geral vai continuar, anunciou o Comité, que irá convocar «as maiores mobilizações – organizadas e pacíficas – da história da Colômbia».

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