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Índia: alienação da banca serve interesses dos capitalistas, não o povo

A propósito do 53.º aniversário da nacionalização da banca na Índia (19 de Julho de 1969), sindicatos e PCI (M) realizaram iniciativas, em Bengala Ocidental, para denunciar o actual rumo de privatizações.

«A nacionalização da banca é para o desenvolvimento geral do país e o bem-estar dos cidadãos. Em sentido inverso, a privatização não serve as pessoas comuns», afirmou-se em Calcutá 
«A nacionalização da banca é para o desenvolvimento geral do país e o bem-estar dos cidadãos. Em sentido inverso, a privatização não serve as pessoas comuns», afirmou-se em Calcutá Créditos / Newsclick

A 19 de Julho de 1969, a banca foi nacionalizada – não para benefício exclusivo de um punhado de industriais ricos, mas com o intuito de melhorar a economia do país.

Os resultados foram imediatamente visíveis, mas, hoje, o governo central indiano segue um rumo diferente, tentando alienar os bancos para benefício dos capitalistas, sem olhar ao interesse das pessoas comuns, denunciou, em Calcutá, Sanjay Das, secretário-geral da Federação Indiana de Funcionários da Banca Nacionalizada (Ainbof, na sigla em inglês).

Tendo como motivo o Dia da Nacionalização da Banca, a federação promoveu, na capital de Bengala Ocidental, uma acção de protesto contra as fusões e privatizações em curso de bancos do Estado.

Segundo refere o NewsClick, os dirigentes sindicais mobilizaram-se para denunciar «o saque dos depósitos das pessoas comuns do país, por via da entrega de activos que pertencem ao Estado a várias empresas».

Seguiu-se uma sessão de esclarecimento, em que participaram diversas figuras, economistas, dirigentes e activistas sindicais.

Sanjay Das sublinhou que a nacionalização da banca serve o desenvolvimento geral do país e o bem-estar dos cidadãos. Em sentido inverso, a privatização não serve as pessoas comuns, nem melhora a infra-estrutura do sistema bancário.

A maior parte do povo indiano são trabalhadores. Colocam as suas esperanças e depositam a sua confiança nos bancos do Estado, porque, depois da nacionalização, nem um único banco teve problemas. Pelo contrário, 38 bancos privados fecharam portas desde 1991 para cá – disse Das.

Várias figuras públicas, economistas, dirigentes sindicais participaram em Calcutá numa sessão sobre a nacionalização da banca / Newsclick

O dirigente sindical afirmou ainda que a actual política de privatização do governo de Modi vai conduzir a Índia a tempos pré-1969, quando o principal objectivo do sistema Mahajani era explorar os trabalhadores.

«A economia indiana sofreu bastante depois da pandemia de Covid-19. Esta política de privatização vai acelerar o processo de redução de gastos e atrasar o processo de contratações», explicou.

«Com isso, a juventude do país vai sofrer muito. Em vez de contratarem pessoas para postos permanentes, estão a contratar trabalhadores precários, para abrir caminho à repressão, à exploração e ao trabalho mal pago», alertou.

Uma outra iniciativa teve lugar em Siliguri, no Norte de Bengala Ocidental, onde o secretário-geral estadual do Partido Comunista da Índia (Marxista), Mohammed Salim, disse que o propósito da nacionalização dos bancos era o de fazer com que as pessoas comuns usufruíssem dos serviços bancários.

«Hoje, a banca é só para [Gautam] Adani e [Mukesh] Ambani [milionários indianos]. Agora, os bancos não estão a contratar. Os depósitos dos trabalhadores estão em risco. O estado dos bancos deteriora-se, juntamente com a economia do país. Estão a ser feitas tentativas para levar os bancos à bancarrota. Estão a ser feitas tentativas para transferir todos os activos do Estado para mãos privadas. E nós opomo-nos a isso», declarou Salim.

Com o lema «Bank Bachao, Desh Bachao» (salvem os bancos, salvem o país), houve concentrações, marchas e debates em vários pontos de Bengala Ocidental. A maior iniciativa teve lugar em Calcutá.

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