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Iemenitas denunciam continuidade do bloqueio imposto pelos sauditas

Um membro do Conselho Político Supremo do Iémen afirmou que se mantém o bloqueio naval e aéreo liderado pelos sauditas, classificando-o como um «crime» contra a população civil.

Navio atracado no porto iemenita de Hudaydah (imagem de arquivo) 
Navio atracado no porto iemenita de Hudaydah (imagem de arquivo) Créditos / PressTV

Em declarações efectuadas este domingo numa rede social, o dirigente político denunciou que a coligação liderada por Riade está a usar a fome como arma de guerra contra o povo iemenita, refere a PressTV.

«O prosseguimento do cerco e a recusa da coligação liderada pela Arábia Saudita em implementar as disposições da trégua, que é um documento oficial sob os auspícios das Nações Unidas e do seu Conselho de Segurança, equivale a um crime intencional contra todo o povo iemenita», disse al-Houthi.

Por seu lado, o vice-primeiro-ministro para a Defesa, Jalal al-Ruwishan, disse numa entrevista à cadeia de TV em língua árabe al-Masirah que há «sinais claros» de que a coligação mantém a «agressão total» contra o Iémen, violando os termos do cessar-fogo alcançado pela ONU no início de Abril e prolongado por mais dois meses no início de Junho.

Ruwishan disse que a trégua «não faz sentido e é inútil» se não permite a abertura dos portos e aeroportos iemenitas, bem como o pagamento dos salários aos funcionários públicos.

«Se a coligação militar liderada pelos sauditas continuar a violar a trégua, o Iémen não aceitará um cessar-fogo falhado», alertou, citado pela PressTV.

Afirmou ainda que aquilo que foi alcançado como resultado da trégua não chega a 10% do que foi declarado no acordo.

As autoridades iemenitas em Saná têm-se queixado reiteradamente da violação do cessar-fogo por parte da coligação saudita, nomeadamente por via da apreensão de petroleiros com destino ao porto iemenita de Hudaydah.

ONU espera que a trégua possa conduzir a um acordo mais amplo

Na passada sexta-feira, o enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, Hans Grundberg, afirmou que o actual cessar-fogo pode ser um precursor de um acordo de paz mais vasto.

No Fórum Internacional sobre o Iémen, que decorreu em Estocolmo (Suécia), Grundberg mostrou-se optimista, «apesar de todos os desafios». «Sabemos que é frágil, sim, que está longe de ser perfeito, mas está-se a aguentar», disse, referindo-se ao cessar-fogo em vigor.

Neste contexto, já foram retomados voos do Aeroporto Internacional de Saná com destino a Amã (Jordânia) e ao Cairo (Egipto), e alguns petroleiros puderam atracar em Hudaydah.

À margem do fórum, Grundberg disse à AFP que a trégua «trouxe um alívio humanitário à população sem precedentes na história do conflito», e, desse ponto de vista, também permite às Nações Unidas ter «espaço e margem de manobra para se empenhar num acordo político».

As partes têm mantido reuniões directas na capital da Jordânia, apoiadas pelas Nações Unidas, pela primeira vez num ano, o que permite pensar num acordo mais amplo, disse ainda Grundberg.

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