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Guatemaltecos insistem no pedido de demissão do governo

Depois da forte repressão policial no sábado, centenas de pessoas regressaram este domingo à Praça da Constituição, na capital, inconformadas com um Orçamento que contempla cortes na Educação e na Saúde.

Créditos / ecuavisa.com

«Fora, Fora» é a palavra de ordem do momento na Guatemala e não apenas na Praça da Constituição, considerada o epicentro da rejeição ao Orçamento do Estado para 2021, aprovado à pressa na madrugada de quarta-feira, e da exigência de demissão do presidente da República, Alejandro Giammattei.

Ontem, centenas de pessoas gritaram palavras de ordem como «O povo presente, não tem Presidente», «Veto ao Orçamento», «Saqueadores, rua» e «Está na hora de nos ouvirem», e voltaram a mostrar faixas e pancartas contra um Orçamento que, aprovado com urgência, contempla cortes em áreas como a Saúde, a Educação e a luta contra a desnutrição, e promove o endividamento excessivo do país, segundo refere a agência Prensa Latina.

A mesma fonte refere que, nos protestos deste domingo, se viu menos Polícia e os jornalistas conseguiram fazer o seu trabalho sem bloqueios de Internet, depois de, na véspera, vários terem sido alvo de «detenções arbitrárias», bem como estudantes universitários, a quem foi imputada a alegada responsabilidade pelos distúrbios nas instalações do Congresso, onde foi destruído algum mobiliário.

A este propósito, um jovem que se manifestava na Praça da Constituição disse à agência cubana que «vandalismo é aprovar um orçamento que põe em risco a segurança dos mais pobres». Outros questionaram a facilidade com que certos grupos entraram na sede legislativa, quando havia tantos polícias no local, dando a entender que poderá ter havido uma acção deliberada para provocar incidentes e justificar a brutal intervenção policial que se seguiu, da qual resultaram dezenas de feridos e mais de 30 detenções.

Procurador dos Direitos Humanos pede demissões de responsáveis

Na sequência da intervenção da Polícia, o Procurador dos Direitos Humanos da Guatemala, Jordán Rodas, pediu a demissão do ministro do Interior, Gendry Reyes, e do director da Polícia Nacional Civil, José Antonio Tzubán.

O procurador fundamenta o pedido nos abusos cometidos pelas forças policiais no decorrer de uma jornada de mobilização anti-governamental considerada histórica, pela dimensão que teve na Cidade da Guatemala e em vários departamentos do país centro-americano.

O pedido do procurador e vídeos que circulam nas redes sociais a documentar a brutalidade da intervenção contrastam com a versão da Polícia, que qualificou os manifestantes como terroristas, e a do presidente da República, que, em comunicado, falou em tentativa de golpe de Estado e já anunciou estar a coordenar a resposta com Organização de Estados Americanos (OEA).

Várias organizações sociais, a Igreja e até o vice-presidente da Guatemala pediram a Alejandro Giammattei que voltasse atrás com o plano de despesas anunciado, mas este deixou claro que não o faria.

Em conferência de imprensa, o vice-presidente Guillermo Castillo, anunciou a ruptura com Giammattei e disse que tinha proposto ao chefe de Estado que ambos se demitissem, tendo em conta as críticas generalizadas ao governo que lideravam.

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