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Grupos armados na Colômbia anunciam cessar-fogo unilateral

Dez grupos rebeldes e estruturas ilegais decretaram um cessar-fogo, em resposta às propostas de diálogo e à política de paz avançadas por Gustavo Petro desde que assumiu a presidência, em Agosto.

Créditos / 360radio.com.co

A notícia foi confirmada, esta quarta-feira, pelo comissário para a paz na Colômbia, Danilo Rueda, que precisou que, entre as organizações armadas, estão o Estado Maior Central das dissidências das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e a Segunda Marquetalia.

Numa conferência de imprensa na Casa de Nariño (sede da Presidência), em Bogotá, Rueda disse também que decretaram um cessar-fogo estruturas paramilitares ligadas ao narcotráfico, como as Autodefensas Gaitanistas de Colombia ou Clan del Golfo, as Autodefensas de la Sierra Nevada de Santa Marta e «vários escritórios das cidades».

O funcionário do governo colombiano que tem a seu cargo a política de paz sublinhou que cada grupo, independentemente das suas características, «está a mostrar disposição» para colaborar com as autoridades e avançar para «a paz total», que é uma das metas traçadas pelo executivo de Petro.

Há uma semana, o presidente colombiano afirmou que, numa questão de dias, seria avançado um tema público: a possibilidade de um cessar-fogo multilateral, que seria o princípio do fim da violência no país sul-americano – onde os massacres e os assassinatos de dirigentes sociais continuaram ao longo deste mês.

«A todos os desejarem um processo de negociação com a Justiça na Colômbia para desmantelar organizações criminosas, aquilo que lhes propomos é o fim das hostilidades, dos crimes, das mortes, um cessar-fogo e, tendo em conta que se trata de uma pluralidade de organizações, isso chama-se cessar-fogo multilateral», disse Petro numa conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque, citado pela Prensa Latina.

No que respeita ao início dos diálogos de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), ontem, Danilo Rueda indicou que «se está ainda na fase da aplicação de protocolos». De acordo com a TeleSur, o funcionário explicou que, após essa fase, «o presidente irá designar aqueles que vão representar os interesses dos colombianos na mesa de negociações».

Desde que assumiu a Presidência do país, em Agosto último, Gustavo Petro lançou propostas e iniciativas no âmbito de uma política que busca aquilo que designou «paz total».

Nesse sentido, abordou logo desde o início a possibilidade de negociações com o ELN e, no contexto dos «postos de comando unificado pela vida» – iniciativas promovidas pelo governo colombiano para analisar a situação humanitária e de violência em vários pontos do país –, avançou com a ideia de um cessar-fogo multilateral por parte dos vários grupos armados que ali operam.

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