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Dirigentes sociais continuam a ser assassinados na Colômbia

Mantêm-se elevados os níveis de violência contra dirigentes sociais e ex-guerrilheiros que subscreveram o acordo de paz, em 2016. Gustavo Petro insiste na política de «Paz Total» e pede apoio.

Minga pela Paz em Pital, Caldono, no departamento do Cauca 
Minga pela Paz em Pital, Caldono, no departamento do Cauca Créditos / @asociacionminga

O Instituto para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) confirmou, esta segunda-feira, o assassinato do líder indígena e médico tradicional Tiberio Chepe Zeti, no Município de Florida (departamento de Valle del Cauca).

De acordo com a informação divulgada pelo organismo, Zeti, líder do povo Nasa no território Kwe'sx Yu Kiwe, foi morto, no domingo, por desconhecidos com uma arma branca.

Também na segunda-feira, o Indepaz deu conta do assassinato, perpetrado no sábado, de Ilder Díaz, um dirigente social e comunitário destacado, e que era candidato a uma autarquia no Município de Policarpa (departamento de Nariño, onde foi morto).

«Foi um dinamizador de diversas associações», revela o Indepaz, acrescentando que Díaz foi morto em circunstâncias que são matéria de investigação.

Segundo os dados recolhidos pelo organismo de defesa da paz, em 2023 foram assassinados na Colômbia 94 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos (1508 desde a assinatura do acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC-EP), bem como 23 ex-guerrilheiros signatários desse acordo (379 desde Novembro de 2016).

Defensoria do Povo alerta para a continidade da violência

A Defensoria do Povo (Provedoria de Justiça) emitiu alertas segundo os quais «se evidencia o cenário de risco que enfrentam pessoas que se dedicam à defesa dos direitos humanos e à liderança social de forma individual ou colectiva, em diversos âmbitos ou sectores no país», indica a TeleSur.

Por seu lado, o Indepaz sublinhou que «a imposição de normas e outras formas de controlo social por parte dos grupos armados constitui um risco permanente de violação dos direitos da população».

Referindo-se ao número elevado de dirigentes sociais mortos no país sul-americano, na sexta-feira passada o Defensor do Povo colombiano, Carlos Camargo, disse que isso «mostra a continuidade da violência» em várias regiões.

Camargo considerou «uma vergonha para o Estado que se tenha normalizado o facto de que em cada semestre se continue a registar cerca de uma centena de homicídios de dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos», tendo pedido medidas mais contundentes para os proteger.

O Indepaz revelou ainda que, em 2023, foram perpetrados 55 massacres no país, com um saldo de 179 vítimas mortais, o último dos quais a 20 de Julho, no município de Cúcuta (departamento de Norte de Santander).

Aposta na «Paz Total»

Desde que assumiu a Presidência do país sul-americano, há quase um ano, Gustavo Petro lançou propostas e iniciativas no âmbito de uma política que busca aquilo que designou como «Paz Total».

No terreno, promoveu reuniões envolvendo associações populares e outros agentes implicados na construção dos territórios, sublinhando que, nessa construção, «não manda a espingarda, a violência e o massacre, mas o povo».

Destacou igualmente que essa meta não pode ser desligada da «justiça social» e da superação de um modelo vigente «há décadas na Colômbia e repetido no mundo, a que chamam neoliberalismo e que já não dá respostas à humanidade».

Este mês, no Congresso, por ocasião o início de uma nova legislatura, afirmou que existem no país «possibilidades de paz que podemos aproveitar», tendo pedido o apoio de deputados e senadores.

«A Paz Total implica um território inclusivo, uma sociedade inclusiva, uma diminuição substancial da desigualdade social, uma sociedade onde a toda a juventude possa sentir que tem futuro», defendeu.

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