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Governo indiano anuncia restrições à exportação de farinha de trigo

O executivo de Modi, que chegou a afirmar que a Índia havia de «alimentar o mundo», decidiu agora restringir as exportações de farinha de trigo, para controlar os preços domésticos.

Trabalhadores descarregam trigo de um camião 
Trabalhadores descarregam trigo de um camião Créditos / ANI / Newsclick

A decisão – informa o Newsclick – foi tomada esta quinta-feira numa reunião da Comissão de Assuntos Económicos do executivo indiano, a que presidiu o primeiro-ministro, Narendra Modi.

Em comunicado, o governo sul-asiático informou que a medida «permitirá agora impor uma restrição à exportação de farinha de trigo, garantindo um travão ao aumento dos preços e a segurança alimentar dos sectores mais vulneráveis ​​da sociedade».

A guerra por procuração entre a Rússia e a NATO em território ucraniano provocou grandes perturbações na cadeia de abastecimento de trigo a nível mundial – tendo em conta que Rússia e Ucrânia são dois dos maiores produtores e exportadores mundiais de trigo – e colocou pressão sobre o trigo indiano, que se tornou alvo de uma procura crescente.

Em resultado disto, o preço do trigo indiano aumentou a nível interno e, para garantir a segurança alimentar do país, em Maio o governo decidiu proibir (mais tarde restringir) a exportação de trigo. Isto, no entanto, conduziu ao aumento da procura de farinha de trigo no estrangeiro.

Segundo refere o Newsclick, as exportações indianas de farinha de trigo registaram um crescimento de 200% entre Abril e Julho deste ano por comparação com igual período em 2021.

A decisão de restringir agora a exportação de farinha de trigo deve-se ao aumento crescente dos preços no mercado interno e é mais significativa quando existia uma política clara de não proibir ou restringir essa exportação.

Em 2021-2022, a Índia exportou farinha de trigo no valor de 246 milhões de dólares; este ano, entre Abril e Junho, o valor atingiu os 128 milhões de dólares.

Alimentar o mundo? Parece que Modi se enganou

No início de Maio, num encontro com a diáspora indiana na Alemanha, Narendra Modi afirmou que, «num momento em que o mundo enfrenta escassez de trigo, os agricultores indianos deram um passo à frente para alimentar o mundo».

Pouco depois, a 13 de Maio, com o conhecimento de que não haveria uma colheita abundante, a Índia proibiu as exportações de trigo para controlar o aumento dos preços domésticos e garantir a segurança alimentar – o que gerou muitas críticas a nível internacional.

Também em Maio, a Índia reviu a sua estimativa de colheita de trigo para 106,4 milhões de toneladas para o ano de 2021-22, que é 4,4% inferior às estimativas anteriores. O governo tinha previsto uma produção de trigo de 111,3 milhões de toneladas para este ano.

O executivo de Modi, mesmo confrontado com vários alertas logo em Abril, defendeu que o país tinha stocks suficientes. No entanto, um relatório recente da Bloomberg, com base em fontes do país asiático, aponta que em Agosto de 2022 as reservas estatais de trigo são as mais baixas dos últimos 14 anos para o mês.

Entretanto, o Departamento da Alimentação e da Distribuição Pública já veio desmentir que exista qualquer intenção da Índia de importar trigo. Em qualquer caso, o cenário é muito diferente daquele que Modi declarou na Alemanha. Parece que a Índia está longe de «alimentar o mundo».

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