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Funcionários norte-americanos «deram um salto» até Idlib

James Jeffrey, enviado especial para a Síria, e Kelly Craft, embaixadora junto da ONU, deslocaram-se a Idlib. Damasco condenou a «visita ilegal» e Al-Assad acusou Erdogan de andar a mando de Washington.

A embaixadora dos EUA junto das Nações Unidas, Kelly Craft, na fronteira entre a Síria e a Turquia com membros dos chamados Capacetes Brancos
A embaixadora dos EUA junto das Nações Unidas, Kelly Craft, na fronteira entre a Síria e a Turquia com membros dos chamados Capacetes Brancos Créditos / @JeSuisEspe_

No decorrer da breve «incursão» em território sírio, esta terça-feira, os funcionários norte-americanos aproveitaram para se encontrar com representantes da chamada «oposição síria» e dos Capacetes Brancos – organização terrorista à qual há muito foi tirada a máscara – na cidade de Idlib, capital da província homónima, onde o Exército Árabe Sírio lançou, em Dezembro último, uma forte ofensiva antiterrorista e para a qual a Turquia enviou um grande dispositivo militar.

A visita ocorre, aliás, num contexto de plena «escalada», com Damasco a afirmar que as suas tropas operam em território nacional e vão libertar todo o país do terrorismo, a Rússia a reafirmar o apoio a Damasco na luta contra o terrorismo e na defesa da soberania e da integridade territorial, e a Turquia a deixar cada vez mais às claras, no terreno, o apoio militar às organizações terroristas que atacam as forças de Damasco, tendo solicitado, inclusive, à Rússia que «deixasse a Turquia a sós com a Síria».

Para hoje, está agendada uma reunião em Moscovo entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan, para abordar a «crise» em Idlib, à qual está também ligada a dos refugiados sírios que Turquia e UE «entalam» entre si.

O encontro segue-se a mais uma noite em que os israelitas lançaram ataques contra território sírio: contra a província central de Homs (a partir do espaço aéreo libanês) e contra a de Quneitra (no Sudoeste do país árabe). Segundo o Ministério sírio da Defesa, as defesas anti-aéreas interceptaram com êxito os mísseis israelitas, informam a PressTV e a Prensa Latina.

«Infiltração ilegal» condenada em termos enérgicos

«Esta infiltração ilegal [dos funcionários norte-americanos] evidencia que a administração dos EUA se considera a si mesma acima do direito internacional», denunciou o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros, num comunicado ontem emitido e que a agência SANA divulgou.

Para a diplomacia síria, a entrada não autorizada no país de funcionários norte-americanos contou com a «cumplicidade do regime turco», deixando em evidência o «papel importante que Washington tem no apoio à agressão turca e em tornar mais complicada a situação na Síria».

«Não é surpreendente que os funcionários norte-americanos se tenham infiltrado desta maneira, depois de terem proporcionado todas as formas de apoio aos grupos terroristas», acrescenta o texto.

«Do ponto de vista militar, a tarefa agora é Idlib»

Em entrevista ao canal russo Rossiya 24, o presidente sírio, Bashar al-Assad, acusou o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, de «ter agido com todas as suas forças, aparentemente por ordem dos Estados Unidos», ao referir-se à agressão turca na província de Idlib.

Sublinhando que, «do ponto de vista militar, a tarefa agora é Idlib», Bashar al-Assad afirmou que a Turquia fez tudo ao seu alcance para travar a ofensiva antiterrorista do Exército Árabe Sírio e dos seus aliados, indica a HispanTV.

Não obstante, o mandatário sírio garantiu que as tropas de Damasco irão libertar esta província do poder dos terroristas e de quaisquer forças estrangeiras ocupantes, prosseguindo depois para o Nordeste do país, onde ainda prevalece a ocupação norte-americana.

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