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Forças israelitas mataram cinco palestinianos na Cisjordânia

No Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, com vários países e organizações a reafirmarem o apoio à luta da Palestina, a Cisjordânia viveu um dos dias mais sangrentos deste ano.

Funeral de dois irmãos em Kar Ein, perto de Ramallah, assassinados ontem pelas forças de ocupação 
Funeral de dois irmãos em Kar Ein, perto de Ramallah, assassinados ontem pelas forças de ocupação CréditosMohamad Torokman / Al Jazeera

As forças israelitas mataram, esta terça-feira, cinco palestinianos na Margem Ocidental ocupada. Um deles, oriundo da localidade de Beitunia, a oeste de Ramallah, não resistiu aos ferimentos, depois de ser atingido a tiro quando, alegadamente, tentou investir com a sua viatura contra um soldado israelita em al-Bireh.

Segundo refere a agência Wafa, testemunhas acusaram a Polícia israelita de ter impedido que as ambulâncias pudessem chegar ao local, cujo acesso foi vedado pelos militares.

Pouco antes, Raed Ghazi Nassan, palestiniano da aldeia de al-Mughayyir (leste de Ramallah), também não resistiu aos ferimentos, após ter sido atingido no peito por uma bala disparada pelas forças israelitas de ocupação.

Kathem Muhammad, activista contra os colonatos, disse à Wafa que os soldados entraram pela aldeia adentro e dispararam fogo real e balas de borracha contra grupos de jovens que tentavam bloquear a sua passagem.

Na parte da manhã, o Ministério palestiniano da Saúde informou que os irmãos Jawad e Thafer Rimawi, de 22 e 21 anos, respectivamente, foram assassinados pelas forças de ocupação na aldeia de Kafr Ein, também nas imediações de Ramallah.

Ainda ontem, Mufeed Mohammad Ikhlil, de 44 anos, foi morto com um tiro cabeça, quando as forças de ocupação reprimiam um grupo de palestinianos que lhes atiravam pedras na aldeia de Beit Ummar, perto da cidade de Hebron (al-Khalil). Outros nove palestinianos ficaram feridos.

De acordo com fontes oficiais, desde o início do ano as tropas de Telavive mataram mais de 200 palestinianos na Cisjordânia ocupada, em Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza cercada, sendo este o maior registo de mortes desde 2006.

Palestina condena «crime horrendo» e alerta para «extremismo» do próximo governo israelita

O primeiro-ministro, Mohammad Shtayyeh, referindo-se ao assassinato dos palestinianos ontem de manhã, classificou-o como um «crime horrendo, como são todos os crimes da ocupação, e uma escalada que traz o presságio de grandes perigos».

Por outro lado, tanto Shtayyeh como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Riyad al-Maliki, têm alertado para o «extremismo» do próximo governo israelita, de direita e com várias figuras abertamente racistas e anti-árabes.

No Cairo, al-Maliki, disse que o próximo governo israelita será «o mais extremista da história desse país, o que provocará uma escalada de violência na região».

«O novo executivo será diferente dos anteriores porque tem elementos conhecidos pelo seu extremismo e radicalismo», afirmou durante uma reunião com embaixadores acreditados junto do Estado da Palestina, refere a agência de notícias MENA.

Reafirmar a solidariedade com a Palestina

Desde 1977, a 29 de Novembro assinala-se o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, depois de, 30 anos antes, a Assembleia Geral da ONU ter aprovado a partição da Palestina, com a criação subsequente de um Estado israelita mas não de um palestiniano, até hoje.

Nos últimos dias – especialmente ontem –, sucederam-se pelo mundo fora as declarações e as iniciativas, promovidas por países e organizações, de apoio à causa palestiniana. Em Portugal, uma das expressões de solidariedade foram os encontros organizados pelo MPPM em Lisboa, Porto e Coimbra.

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