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Federação alerta para violência contra sindicatos na Colômbia

A violência anti-sindical continua na Colômbia graças à resposta insuficiente a este flagelo por parte do governo de Iván Duque, alertou a Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (Fecode).

Créditos / elespectador.com

Numa mensagem publicada na rede social Twitter, a federação referiu que a violência representa um obstáculo ao exercício da liberdade sindical e da defesa dos direitos, e divulgou um relatório sobre o tema intitulado «Os direitos humanos, a democracia, a paz e a liberdade sindical: agendas em crise», a propósito da celebração, no passado dia 10, do Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Os autores destacam que, apesar de existirem várias recomendações sobre a matéria realizadas pela Organização Internacional do Trabalho, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, entre outros organismos, a sua implementação no país sul-americano foi parcial e a ausência de vontade política «não favoreceu um cenário de garantias para os direitos dos trabalhadores e a actividade sindical».

Também sublinham o forte impacto da conjuntura da pandemia de Covid-19 nas «dinâmicas económicas, laborais, sociais, políticas, sanitárias e de saúde», e o modo como o debate público se centra nesta conjuntura, deixando de lado outras questões, como a defesa dos direitos humanos e a democracia, e o dever do Estado de garantir a protecção daqueles que defendem os direitos, incluindo os dirigentes sindicais.

O relatório da Confederação Sindical Internacional relativo a 2020 situa a Colômbia no terceiro lugar entre os piores países do mundo para os trabalhadores e a federação sindical refere que, este ano, foram registados 130 casos de atentados à vida, à integridade física e à liderdade dos sindicalistas no país.

Por seu lado, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) refere que, entre 1 de Janeiro e 11 de Dezembro deste ano, foram assassinados na Colômbia 292 dirigentes sociais.

O problema da violência sobre a actividade sindical existe há muito na Colômbia, explica a Fecode, precisando que, de 1 de Janeiro de 1971 a 31 de Novembro último, se registaram pelo menos 15 317 atentados à vida, à liberdade e à integridade física dos sindicalistas.

Os dados recolhidos pelo Sistema de Informação dos Direitos Humanos da Escola Nacional Sindical, citado pela Federação, mostram que, ao longo de quatro décadas, o movimento sindical foi alvo de diversas formas de violência, sem qualquer forma de reparação.

Entre estas, refere 3277 homicídios de sindicalistas – incluindo 955 dirigentes sindicais –, 428 atentados à vida, 253 desaparecimentos forçados, 7541 ameaças de morte e 1952 deslocações forçadas.

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