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Extrema-direita ucraniana celebrou aniversário de divisão nazi no centro de Kiev

Moscovo afirmou que a marcha evidencia mais uma vez que «o neonazismo na Ucrânia não é uma invenção ou propaganda da Rússia» e criticou Kiev por «glorificar os colaboradores nazis».

Marcha nas ruas de Kiev em honra da 14.ª Divisão de Granadeiros da Waffen-SS, conhecida como divisão Galícia 
Marcha nas ruas de Kiev em honra da 14.ª Divisão de Granadeiros da Waffen-SS, conhecida como divisão Galícia Créditos / RT

Cerca de cem pessoas participaram, a meio desta semana, na marcha promovida na capital ucraniana por grupos nacionalistas de extrema-direita para assinalar o 78.º aniversário da criação da 14.ª Divisão de Granadeiros da Waffen-SS, conhecida como divisão Galícia.

Os manifestantes avançaram pelo centro da cidade, na quarta-feira à noite, com faixas, bandeiras e símbolos da divisão, que lutou lado a lado com os nazis durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto algumas mulheres levavam flores amarelas e azuis, as cores da bandeira nacional da Ucrânia.

No final, penduraram uma faixa numa ponte em que se mostrava soldados com uniforme nazi e se lia «a Ucrânia não esquecerá o soldado com o leão dourado na manga», em alusão ao emblema da divisão da Waffen-SS composta por voluntários ucranianos. De acordo com a RT, a Polícia bloqueou o trânsito para possibilitar a passagem da marcha.

A SS Galicia, formada em Lvov em 1943, era integrada sobretudo por ucranianos que queriam lutar ao lado da Alemanha nazi contra a União Soviética e que combateram, acima de tudo, grupos de partisans locais.

Posteriormente, serviu de base à formação do Exército Nacional Ucraniano e assim se manteve até ao final da guerra na Europa, em Maio de 1945. Foi acusada de participar em múltiplas atrocidades, incluindo a eliminação das comunidades polacas no Ocidente da Ucrânia e o massacre de civis durante as suas acções anti-guerrilheiras.

«Os seguidores da ideologia nazi-fascista sentem total impunidade na Ucrânia»

Na quinta-feira, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, afirmou que a marcha de homenagem à SS Galicia se vem juntar a uma série de factos que evidenciam mais uma vez que «o neonazismo na Ucrânia não é uma invenção ou propaganda da Rússia», tendo lamentado ainda que «a escala e a frequência dos eventos dos neonazis vá em crescendo, adquirindo um carácter cada vez mais agressivo», informa a RT.

A funcionária russa acusou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de manter uma «política permissiva para com os nacionalistas radicais ucranianos, de manipular a história da Grande Guerra Pátria e de glorificar os colaboradores nazis».

«Os seguidores da ideologia nazi-fascista sentem total impunidade na Ucrânia e, inclusive, o apoio das autoridades. Esta política oficial de Kiev é um insulto à memória não só do povo russo e ucraniano, mas de todos os povos da antiga União Soviética, cujos soldados deram a vida pelo futuro das gerações vindouras, incluindo as dos cidadãos da actual Ucrânia», declarou Zakharova.

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