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Ex-vereador da FMLN assassinado em El Salvador

José Berríos é o 3.º militante da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) morto em 72 horas, em plena campanha eleitoral. O secretário-geral da FMLN exigiu a investigação dos factos.

Viatura em que seguiam os apoiantes e militantes da FMLN vítimas do primeiro ataque, em São Salvador
Viatura em que seguiam os apoiantes e militantes da FMLN vítimas do primeiro ataque, em São Salvador Créditos / revistafactum.com

José Nelson Berríos Méndez, de 45 anos, foi assassinado na sua casa, no município de Chirilagua (departamento de San Miguel), entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, em circunstâncias ainda por apurar, refere a TeleSur.

Dono de uma loja e de uma funerária, Berríos foi vereador de Chirilagua pela FMLN entre 2009 e 2012, e era considerado um «militante activo». «É o segundo ataque contra o movimento em menos de 72 horas, no contexto da campanha para as eleições locais de 28 de Fevereiro», denunciou esta quinta-feira a FMLN.

No dia anterior, Oscar Ortiz, secretário-geral da FMLN e ex-vice-presidente de El Salvador no período 2014-2019, recorreu ao Twitter para condenar «um novo episódio de violência contra um dos nossos militantes» e para exigir uma investigação «profunda» dos factos.

No domingo passado, dois militantes da FMLN foram mortos e cinco ficaram feridos num ataque a uma caravana eleitoral na capital do país, São Salvador.

A reacção inicial do presidente salvadorenho, Nayib Bukele, foi sugerir que se tinha tratado de um «auto-atentado» levado a cabo pela FMLN para retirar benefícios eleitorais. Posteriormente, o governo lançou a versão de que tinha havido uma troca de disparos.

Oscar Ortiz apontou de imediato «o discurso de ódio» promovido por Nayb Bukele como responsável pela violência e afirmou que a campanha levada a cabo pela FMLN tem sido «responsável», apesar das «situações de chantagem, ameaças e pressões» reiteradas.

Sobreviventes temem represálias

Ontem, durante o funeral dos dois militantes da FMLN assassinados no domingo à noite, vários sobreviventes do ataque insistiram em manter o anominato, por temerem represálias da Polícia Nacional Civil e tendo em conta as versões que o governo de Bukele divulga do ataque.

Como o executivo propala a versão de uma suposta troca de disparos, a Polícia foi ao hospital tentar prender duas pessoas que ficaram feridas no ataque. «Não nos queremos envolver mais; já basta aquilo que nos fizeram no domingo. Disseram-nos que nos podiam prender», afirmaram, citados pela Prensa Latina.

Na viatura atacada, iam cerca de 20 pessoas, que regressavam de uma acção de apoio à candidatura de Rogelio Canales ao Município de São Salvador. Os deputados Yanci Urbina, Nidia Díaz e Carlos Ruiz concordam quanto à situação «delicada» dos sobreviventes, e reafirmaram que o crime foi suscitado pelo «discurso de ódio» promovido pelo presidente do país, Nayib Bukele.

Entretanto três homens foram detidos e acusados, pela Procuradoria-Geral da República, dos crimes de homicídio agravado e homicídio tentado. Raúl Melara, o procurador-geral, também questionou a insistência da Polícia em desvirtuar o resultado das investigações do Ministério Público.

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