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Em 2021, 9 em 10 contratos assinados por jovens em Espanha foram temporários

Apesar de os dados oficiais apontarem para uma recuperação do emprego juvenil em Espanha, «o problema de fundo persiste» devido à grande precariedade que afecta os trabalhadores com menos de 35 anos.

Se, em 2011, a duração média de um contrato de trabalho temporário em Espanha era de 69 dias, em 2021 é de 54 dias, revela a Oxfam 
Se, em 2011, a duração média de um contrato de trabalho temporário em Espanha era de 69 dias, em 2021 é de 54 dias, revela a Oxfam Créditos / elperiodico.com

Nas conclusões do relatório «Tempo de Precariedade», agora publicado pela organização não governamental (ONG) Oxfam Intermón, afirma-se que a grande maioria da população jovem em Espanha «enfrenta uma elevada precariedade laboral».

«Este documento põe o foco na precariedade laboral que a juventude padece e no papel que desempenha a anómala temporalidade no mercado de trabalho espanhol, com os piores registos da União Europeia», afirma o organismo.

De acordo com o estudo, mais de metade dos contratos com menos de sete dias de duração assinados este ano correspondem a trabalhadores com menos de 35 anos e nove em cada dez contratos assinados por jovens entre Janeiro e Setembro de 2021 foram temporários.

A precariedade «condena» os trabalhadores a «vidas mais instáveis e a menos rendimentos», sendo desproporcionalmente elevada entre os trabalhadores jovens, que são «um dos grupos etários em maior risco de pobreza e exclusão social».

Uma em cada quatro pessoas com idade inferior a 30 anos vive abaixo do limiar da pobreza em Espanha, facto que, segundo a Oxfam, está relacionado com um sistema «disfuncional», em que também a «protecção social não faz o suficiente por elas».

A temporalidade no Estado espanhol «não é apenas excessiva, mas é também hoje pior que há mais de uma década», alerta a ONG. «Enquanto em 2011 a duração média de um contrato de trabalho temporário era de 69 dias, em 2021 é de 54 dias», afirma.

No que respeita aos contratos de muito curta duração, a ONG lembra que a pandemia não serve de desculpa para tudo, na medida em que, antes da Covid-19, mais de um quarto dos contratos assinados não ultrapassava uma semana de duração.

Estes dados colocam o Estado espanhol à cabeça da UE no que respeita à precariedade, quase duplicando a média dos países-membros em 2020 e ficando cinco pontos percentuais à frente de Portugal, o segundo na lista do emprego sem vínculo, segundo o Eurostat.

Mais afectados pelos despedimentos colectivos

Durante a pandemia, o patronato recorreu com frequência ao despedimento colectivo de trabalhadores em situação precária para «gerir a incerteza económica». Entre Fevereiro e Junho de 2020, indica a Oxfam, «mais de sete em cada dez postos de trabalho destruídos corresponderam a contratos temporários».

Apesar de as pessoas com menos de 35 anos representarem um quarto dos trabalhadores em Espanha, seis em cada dez empregos destruídos foram de trabalhadores nesta faixa etária.

Outro aspecto destacado pelo estudo é o facto de a precariedade afectar mais as mulheres que os homens. Atinge 37,1% das mulheres entre os 20 e os 29 anos e 24,7% dos homens na mesma faixa etária e com um nível de estudos e experiência semelhante.

As pessoas com baixos estudos e as que nasceram no estrangeiro também são mais afectadas pela precariedade laboral, refere a ONG, que exige «medidas ambiciosas» para acabar com a «cultura do trabalho temporário» em Espanha e, assim, travar a elevada precariedade entre os jovens.

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