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Giro d'Italia tem início previsto para Jerusalém

Desporto não pode branquear crimes de Israel

A Volta a Itália em Bicicleta deste ano começa em Jerusalém. O MPPM junta-se ao «Apelo Internacional: Deslocalizar a "Grande Partida" do Giro d'Italia de Israel» e condena aquilo que classifica como «operação de branqueamento» da ocupação e opressão sobre o povo palestiniano.

Inúmeras organizações exigem que o Giro d'Italia não se inicie em Israel em 2018
Inúmeras organizações exigem que o Giro d'Italia não se inicie em Israel em 2018Créditos / bdsmouvement.net

No site oficial da prova, afirma-se que, «pela primeira vez, um Grand Tour [Tour, Giro e Vuelta] irá começar fora da Europa» e que «é a 13.ª vez que o Giro d’Italia tem início fora de Itália». O «Big Start» [Grande Partida] da competição decorre em Israel, que acolhe três etapas de 4 a 6 de Maio, a primeira das quais em Jerusalém.

Num comunicado emitido esta semana, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) afirma que os «organizadores do Giro d'Italia estão deste modo a colaborar nas "celebrações" do 70.º aniversário da fundação de Israel», que se alicerçou numa «deliberada e impiedosa limpeza étnica».

«Quando Israel celebra os seus 70 anos, o povo palestiniano recorda com dor os 70 anos da Nakba, a catástrofe que constituiu a expulsão da sua terra natal de mais de 700 000 palestinianos, muçulmanos e cristãos, ainda hoje impedidos de regressar», denuncia a organização solidária.

«Quando Israel celebra os seus 70 anos, o povo palestiniano recorda com dor os 70 anos da Nakba»

Sublinhando que «o desporto não pode servir para branquear a ocupação e a opressão do povo palestiniano» por parte de Israel – algo que «nem os 10 milhões de euros que os organizadores do Giro d'Italia terão recebido para aí iniciar a prova podem esconder» –, o MPPM considera inaceitável qualquer tentativa de «"normalização" dos crimes de Israel e apela a que nenhum ciclista português participe» na prova, «nesta operação de branqueamento», insiste.

Estando o início do Giro d'Italia marcado para Jerusalém, o MPPM lembra que a parte oriental da cidade «é, à luz do direito internacional, território ocupado» e que «a recente decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel não pode alterar este facto». Ao invés, a decisão suscita «fundado repúdio», tendo em conta «a continuada limpeza étnica da população palestiniana» que ali se verifica, «visando a completa judaização da cidade».

«Israel não é um país normal»

«As próprias autoridades israelitas não escondem» que o início do Giro no país constitui «uma grande operação de cosmética política, de "normalização" do Estado de Israel». Mas, sublinha o MPPM, Israel «não é um país "normal", é antes o único país do mundo que não declara as suas fronteiras, o país que mais resoluções da ONU violou e viola, gozando de inaceitáveis cumplicidades e complacências».

Ao fundamentar esta «anormalidade», o MPPM lembra que Israel ocupa ilegalmente há mais de 50 anos os territórios palestinianos da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental, exercendo «sobre a sua população uma repressão impiedosa, que se saldou em milhares de mortos e centenas de milhares de presos».

Para além disso, Israel recusa-se a devolver às famílias «os corpos de centenas de palestinianos mortos pelas suas forças repressivas» e continua a construir o «ignominioso muro que rouba território palestiniano, separa populações dos seus terrenos de cultivo e impede a livre movimentação dos palestinianos na sua própria terra».

Mais de 600 mil colonos israelitas residem em centenas de colonatos localizados em território palestiniano ocupado, «cuja anexação de facto ou mesmo formal está em curso», violando «a IV Convenção de Genebra e resoluções da ONU», denuncia o documento, que lembra ainda o «criminoso bloqueio» à Faixa de Gaza que Israel mantém há mais de dez anos, colocando a sua população «à beira da catástrofe humanitária».

Para denunciar esta situação e fazer com que o Giro não sirva para lhe dar cobertura, o MPPM juntou-se ao «Apelo Internacional: Deslocalizar a "Grande Partida" do Giro d'Italia de Israel» [«International call: Move the "Big Start" of the Giro d’Italia from Israel»], subscrito por inúmeras organizações solidárias com a Palestina.

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