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Corte de água a Hasaka é um «crime de guerra e contra a humanidade»

A diplomacia síria condenou esta segunda-feira o «crime» perpetrado pelas forças de ocupação turcas no Nordeste do país, ao cortar o abastecimento de água potável a mais de um milhão de pessoas.

A operação militar turca no Norte da Síria, cujo início foi decretado esta quarta-feira por Erdogan, provocou grandes danos no país árabe
A Turquia lançou uma operação militar de grande envergadura no Norte da Síria em Outubro de 2019 Créditos

O corte de água potável a mais de um milhão de cidadãos sírios na cidade de Hasaka e arredores, levado a cabo pelas forças militares turcas de ocupação, foi condenado de forma veemente pelo Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros, que denunciou a medida como um «acto de guerra» e um «crime contra a humanidade» à luz do direito internacional humanitário, «incluindo as convenções de Genebra respeitantes à protecção de civis em tempo de guerra».

«A Turquia e as suas ferramentas, com o beneplácito da administração norte-americana e terroristas aliados, utilizaram a água como uma arma contra os civis sírios (mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência) para fins políticos desumanos», lê-se na nota divulgada pela agência SANA, em que se acrescenta: «Cortaram a água da estação de Allouk 16 vezes nos últimos dois meses.»

A nota precisa que o corte mais recente já ultrapassou as duas semanas, quando a população enfrenta o calor sufocante do Verão e num contexto de aumento de casos de Covid-19.

Governo de Damasco, autoridades provinciais e organizações humanitárias sírias activaram mecanismos para fazer frente à situação e garantir o abastecimento de água à maioria da população – um processo que, denuncia a nota, tem sido dificultado pela presença no terreno de forças de ocupação dos EUA e da Turquia.

«É tempo de a ocupação acabar»

O documento sublinha que as forças militares turcas e norte-americanas, os terroristas do Daesh e do Hayat Tahrir al-Sham, e os militantes das chamadas Forças Democráticas Sírias (na sua maioria curdas) continuam a minar a soberania e a independência da Síria, numa violação clara da Carta das Nações Unidas. «É tempo de a ocupação acabar», frisa o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros.

A declaração insta ainda os organismos internacionais a assumir as suas responsabilidades e a honrar a Carta das Nações Unidas. Na passada sexta-feira, o representante permanente da Síria junto das Nações Unidas, Bashar al-Jaafari, pediu ao secretário-geral do organismo, António Guterres, que interviesse de todos os modos possíveis com vista a pôr fim ao corte de água potável, por parte da Turquia, à população de Hasaka.

Recorde-se que, a 9 de Outubro de 2019, forças militares turcas e grupos de mercenários lançaram uma invasão em grande escala do Norte e Nordeste da Síria, alegadamente para atacar e afastar da região fronteiriça as Unidades de Protecção Popular (YPG) curdas, que integram as FDS e são vistas por Ancara como um prolongamento (terrorista) em território sírio do braço armado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), igualmente considerado terrorista pela Turquia.

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